Voltei, Recife - João Humberto Martorelli

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20/05/2010

Voltei, Recife - João Humberto Martorelli

20/05/2010
Voltei, Recife - João Humberto Martorelli

Publicado no Jornal do Commercio - 20.05.2010

O impressionante crescimento do Nordeste, em particular de Pernambuco, nos últimos anos, implica revisão necessária das estratégias de atuação das empresas dos mais diversos setores da economia que focaram expansões voltadas para outras regiões e mercados.

O setor de serviços, no passado, foi um dos que mais sofreu os efeitos negativos da estagnação econômica e aparenta ser o que vai mais rapidamente inverter os planos de expansão. O processo de crescimento e competição entre as empresas de advocacia é seguramente bem ilustrativo dos movimentos de mercado em fluxo inverso. As empresas locais, carentes de maior mercado regional em face da atávica estagnação econômica, ou bem procuraram segurar o pouco mercado de que dispunham, ou bem, mantendo sua atuação regional, encaminharam-se para outras praças, a maior parte acompanhando clientes que também fugiam da paralisação econômica e desbravavam mercados economicamente mais promissores, nomeadamente o de São Paulo. Esses bravos nordestinos - a coragem está em nosso DNA - conseguiram atingir posições interessantes de mercado nos demais Estados da Federação. No contra fluxo, as empresas de advocacia do Centro-Sul faziam o caminho do Nordeste. Teriam já, naquela época - falamos da década de 90 -, a visão do potencial de nossa região? Acho que não, porque a motivação delas não era a mesma nossa: enquanto buscávamos novos mercados e ancoramos em clientes que para eles se dirigiam, mas com o intuito de desbravá-los, elas acompanharam simplesmente os clientes no contexto das privatizações e nunca se deixaram seduzir pela regionalização. Talvez por isso tenham desistido e voltado para seus Estados. Agora, no novo contexto do Nordeste, é possível que o movimento seja reativado sob enfoque diverso.

Acredito que a estratégia correta para as empresas nordestinas que estão em outros mercados é fazer uma inflexão voltada para a região de origem, aprofundar os laços com o mercado nordestino, agregando a sua atuação local os inevitáveis ganhos nos processos de atuação e atendimento de mercado que o exercício da profissão em outras praças lhe terá oferecido. Uma empresa bem estruturada nas demais regiões, com dirigentes e líderes locais que mantenham as conquistas obtidas até agora, dará a segurança de que os ganhos obtidos não serão perdidos. Significa que não é recomendável desmobilizar as estruturas exportadas em função da nova dinâmica nordestina, porque, ao contrário, o estabelecimento em centros importantes como São Paulo, coração financeiro do País, poderá gerar negócios voltados para o mercado nordestino. Empresas nordestinas de prestação de serviços estabelecidas em São Paulo serão da maior valia para o empresário nordestino e para o investidor ali sediado, conhecendo a linguagem de ambos, suas peculiaridades e traços característicos, constituindo-se em ferramenta útil para a conclusão de negócios. O desenvolvimento dessa vocação de elemento-ponte parece um grande diferencial competitivo.

A inflexão necessária, nas organizações que conseguiram estruturar-se, passa, entretanto, pelo retorno das maiores lideranças da empresa ao Nordeste. Assim como as firmas de advocacia do Centro-Sul voltam a ensaiar novo movimento migratório, os grandes líderes regionais das empresas nordestinas têm que retornar aos seus locais de origem para assistir a antiga e nova clientela no novo contexto econômico da região, deixando com as lideranças construídas nos outros estados a continuidade da obra exportada.
 

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