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27/09/2010Vocações frustradas - Concursos - João Bosco Tenório Galvão
27/09/2010
Publicado no Diario de Pernambuco - 27.09.2010
jbtg@uol.com.br
As vocações estão sendo frustradas pela segurança social e econômica que vem sendo perseguidas pelo brasileiro na chamada idade concursal. Ninguém persegue a felicidade de atender sua natural vocação, pois a felicidade não está se medindo pelo sentimento da realização pessoal, mas sim pela certeza da remuneração mensal que os cargos em disputa podem oferecer. As pessoas, profissionais de concursos públicos, estão agindo por instinto de sobrevivência econômica, sem se importarem com a busca de um sentido para suas vidas que é proporcionado pelo exercício profissional por imperativo vocacional. A frustração das vocações é uma violação ao próprio sentido de viver. As vocações estão sendo falsificadas, repito, pela ambição de ganhos seguros, pois ninguém é despedido de empregos públicos. Assim, em grande escala, o motivo na prestação de concursos públicos é a mera nomeação em cargos estáveis, com remuneração superior ao que se pratica no mercado. O exercícioprofissional vocacionado, no Brasil, deixou de ser um objetivo de realização de consciência, para se converter em reles busca de remuneração segura. O concurseiro profissional não está preocupado com o ramo funcional dos cargos objeto dos certames, mas, unicamente, com o seu sucesso nos exames, com a ordem de classificação e com a nomeação no devido prazo. Isso, em longo prazo, implicará graves prejuízos às funções públicas que, em parte, já estão sendo exercidas por pessoas treinadas para o estudo obstinado de matérias elencadas nos diversos concursos públicos existentes no Brasil.
Temos dezenas de publicações informando datas, matérias, remunerações dos concursos existentes, neste continente de língua portuguesa que é o Brasil. Assim, de modo particular, as carreiras jurídicas tem atraído milhares de pretendentes diversamente vocacionados, que se prestariam melhor no exercício de outros misteres. Pois é, as carreiras onde se exigem formação jurídica são as mais concorridas, pelas suas atrativas remunerações. O motivo dessa preferência resulta da grande oferta de vagas e da remuneração privilegiada. O critério vocacional passa ao largo. São juízes, oficiais de justiça, serventuários, peritos, delegados, escrivães e afins, que adquirem cultura jurídica e passam, em grande número, a exercerem funções onde lhes faltam talento e arte. A cultura adquirida com o objetivo de prestar exames em concursos pode ser válida a esse fim, mas não conferirá o talento que é a expressão artística do exercício vocacional. Sem vocação não há salvação. Já assisti juízes sem vocação para tanto decidindo, conduzido pelas paixões, diminuindo o Direito em lugar de engrandecê-lo, pois não sabem interpretar a Lei, que visa, normatizando a vida social, conferir segurança (jurídica) ao relacionamento humano. O sistema educacional brasileiro, por suas falhas, praticamente permite obter-se grau em qualquer curso superior. Daí, pela frequência de cursos direcionados, leituras sistemáticas de questões, para se chegar à aprovação em concurso público de qualquer natureza é um passo. Com obstinação para o duro estudo de textos e sua memorização, o sucesso passa a ser viável. O sucesso falso torna a vida pequena. Como alerta vale repetir: "Se você exerce a sua vocação, metade da sua vida está resolvida." (Fernanda Montenegro).
As vocações estão sendo frustradas pela segurança social e econômica que vem sendo perseguidas pelo brasileiro na chamada idade concursal. Ninguém persegue a felicidade de atender sua natural vocação, pois a felicidade não está se medindo pelo sentimento da realização pessoal, mas sim pela certeza da remuneração mensal que os cargos em disputa podem oferecer. As pessoas, profissionais de concursos públicos, estão agindo por instinto de sobrevivência econômica, sem se importarem com a busca de um sentido para suas vidas que é proporcionado pelo exercício profissional por imperativo vocacional. A frustração das vocações é uma violação ao próprio sentido de viver. As vocações estão sendo falsificadas, repito, pela ambição de ganhos seguros, pois ninguém é despedido de empregos públicos. Assim, em grande escala, o motivo na prestação de concursos públicos é a mera nomeação em cargos estáveis, com remuneração superior ao que se pratica no mercado. O exercícioprofissional vocacionado, no Brasil, deixou de ser um objetivo de realização de consciência, para se converter em reles busca de remuneração segura. O concurseiro profissional não está preocupado com o ramo funcional dos cargos objeto dos certames, mas, unicamente, com o seu sucesso nos exames, com a ordem de classificação e com a nomeação no devido prazo. Isso, em longo prazo, implicará graves prejuízos às funções públicas que, em parte, já estão sendo exercidas por pessoas treinadas para o estudo obstinado de matérias elencadas nos diversos concursos públicos existentes no Brasil.
Temos dezenas de publicações informando datas, matérias, remunerações dos concursos existentes, neste continente de língua portuguesa que é o Brasil. Assim, de modo particular, as carreiras jurídicas tem atraído milhares de pretendentes diversamente vocacionados, que se prestariam melhor no exercício de outros misteres. Pois é, as carreiras onde se exigem formação jurídica são as mais concorridas, pelas suas atrativas remunerações. O motivo dessa preferência resulta da grande oferta de vagas e da remuneração privilegiada. O critério vocacional passa ao largo. São juízes, oficiais de justiça, serventuários, peritos, delegados, escrivães e afins, que adquirem cultura jurídica e passam, em grande número, a exercerem funções onde lhes faltam talento e arte. A cultura adquirida com o objetivo de prestar exames em concursos pode ser válida a esse fim, mas não conferirá o talento que é a expressão artística do exercício vocacional. Sem vocação não há salvação. Já assisti juízes sem vocação para tanto decidindo, conduzido pelas paixões, diminuindo o Direito em lugar de engrandecê-lo, pois não sabem interpretar a Lei, que visa, normatizando a vida social, conferir segurança (jurídica) ao relacionamento humano. O sistema educacional brasileiro, por suas falhas, praticamente permite obter-se grau em qualquer curso superior. Daí, pela frequência de cursos direcionados, leituras sistemáticas de questões, para se chegar à aprovação em concurso público de qualquer natureza é um passo. Com obstinação para o duro estudo de textos e sua memorização, o sucesso passa a ser viável. O sucesso falso torna a vida pequena. Como alerta vale repetir: "Se você exerce a sua vocação, metade da sua vida está resolvida." (Fernanda Montenegro).
