Viúva de Paulo Cavalcanti recebe anistia política

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09/07/2015

Viúva de Paulo Cavalcanti recebe anistia política

09/07/2015
Viúva de Paulo Cavalcanti recebe anistia política
Presa durante a ditadura, Maria Ofélia, esposa do advogado, político e escritor pernambucano Paulo Cavalcanti, recebeu na manhã da quinta-feira, dia 09, a declaração de anistiada política, em cerimônia prestigiada realizada no auditório da OAB-PE. A portaria de número 426, do Ministério da Justiça, que concede a anistia à dona Ofélia, foi publicada em 25 de maio deste ano, dia em que, se vivo fosse, Paulo Cavalcanti completaria 100 anos de idade. Numa iniciativa da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara (CEMVDHC), em parceria com a OAB-PE e a Comissão Nacional de Anistia do Ministério da Justiça, o ato de entrega do certificado de anistiada à Maria Ofélia, de 97 anos, fez parte das homenagens em comemoração ao centenário de Paulo Cavalcanti. A solenidade foi aberta pelo presidente da CEMVDHC, Fernando Coelho, que também já presidiu a OAB-PE, no período de 1985 a 1987. Em seu discurso, destacou a importância de Paulo Cavalcanti para a história política e social do Brasil, inclusive com forte militância dentro da OAB. Ressaltou, ainda, ser justa a homenagem à Ofélia. Inspirado no dramaturgo e poeta alemão, Bertold Brecht, o presidente da OAB-PE, Pedro Henrique Reynaldo Alves, enfatizou em sua fala que “os imprescindíveis são os que lutam por uma vida toda”, a exemplo de Paulo Cavalcanti. “Temos o dever de cultuar a memória de quem, com fibra moral e compromisso público, muito contribuiu com a história de nosso país. Estou muito feliz em participar desta cerimônia”, disse. Na ocasião, o presidente Pedro Henrique lembrou que Paulo Cavalcanti foi um dos advogados pernambucanos distinguidos com a comenda “Para não repetir”, concedida pelo Conselho Federal da OAB (CFOAB), durante a cerimônia realizada no dia 31 de março de 2014, que marcou os 50 anos do golpe militar ocorrido no Brasil. Paulo Cavalcanti integrou a seleta lista encaminhada pela OAB-PE ao CFOAB, para receber o reconhecido pelo muito que fizeram em defesa dos direitos humanos durante o regime militar. “Paulo foi um dos advogados que resguardaram os direitos civis e lutaram pela redemocratização do país à época da ditadura”, frisou o presidente da OAB-PE. Em reunião realizada no dia 25 de maio último - data de aniversário de Paulo Cavalcanti -, o Conselho Pleno da OAB-PE aprovou voto de aplauso à memória do advogado. Uma proposição do presidente Pedro Henrique, acatada por unanimidade pelos conselheiros. A cerimônia foi marcada ainda pela exibição de um vídeo com uma série de depoimentos de familiares, amigos, colegas de partido e de jornada de Paulo Cavalcanti. Cada um, a seu modo, prestaram suas homenagens. Das mãos do representante da Comissão Nacional de Anistia do Ministério da Justiça, Manoel Moraes, dona Maria Ofélia recebeu o certificado de anistiada. Emocionada, ela agradeceu lendo um discurso em nome de toda a família. Confira aqui. A solenidade foi prestigiada por familiares e amigos do casal Ofélia e Paulo; e integrantes da CEMVDHC, dentre eles, o conselheiro federal da OAB por Pernambuco Henrique Mariano; o procurador Roberto Franca; a historiadora e professora Socorro Ferraz; e o advogado Gilberto Marques. Presentes, ainda, a secretária de Cultura da Prefeitura do Recife, Lêda Alves, que representou o prefeito Geraldo Júlio; o sociólogo e ex-secretário de Planejamento do Governo Jarbas Vasconcelos, José Arlindo Soares; o presidente do Instituto dos Advogados de Pernambuco (IAPE), Fernando Araújo; o presidente da Caixa de Assistência dos Advogados de Pernambuco (CAAPE), Ronnie Preuss Duarte; o vereador de Olinda, Marcelo Santa Cruz; além de muitos amigos e admiradores que aderiram às homenagens a Paulo Cavalcanti. Memória - Atuante intelectual de esquerda de Pernambuco, Paulo Cavalcanti se notabilizou pelo posicionamento contrário a medidas autoritárias do presidente Getúlio Vargas, durante o Estado Novo (1937-1945). Elegeu-se deputado estadual em 1947 e em 1951. Acusado de subversão, foi preso onze vezes durante a ditadura militar (1964-1985). Atuou como advogado de sindicalistas, militantes comunistas e líderes das Ligas Camponesas. Crítico literário, Paulo Cavalcanti foi estudioso da obra do português Eça de Queiroz. Fundou a União Brasileira de Escritores - Secção Pernambuco (UBE-PE), e a Associação do Ministério Público de Pernambuco.   Com informações da assessoria do CEMVDHC
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