Vergonhosa subserviência - Dorany Sampaio

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02/07/2011

Vergonhosa subserviência - Dorany Sampaio

02/07/2011
Vergonhosa subserviência - Dorany Sampaio
Publicado no Jornal do Commercio - 02.06.2011

Marco Túlio Cícero, advogado, orador, escritor e político romano, como homem público lutou para salvar a República, pois antevia o retrocesso ao País com a instauração da monarquia. A concentração de todo o poder na monarquia geraria, como gerou, o absolutismo. Pernambuco tem uma antiga tradição de republicanismo, desde 1710 com Bernardo Vieira de Melo, fortalecida pelos heróis de 1817 a 1824. O irredentismo, característica marcante do pernambucano, causou severas punições, como a perda da comarca do São Francisco, entre outras, sem falar do sacrifício dos nossos heróis, como Frei Caneca, que deram a própria vida por seus ideais republicanos e de liberdade. Essa bela, rica e invejada história acaba de ser manchada de forma indelével pela maioria dos deputados estaduais. Aqui sempre se disse, com justificativa de orgulho: "Pernambuco só se curva para agradecer". E agora mais que curvados, os deputados - com pouquíssimas e honrosas exceções - se agacharam subservientes à vontade de um só, para satisfazer seus interesses, sua irresponsável falta de respeito para com a ordem constitucional e com o sentimento da população. Como ex-presidente e ex-conselheiro federal da OAB, aplaudo a postura do honrado presidente Henrique Mariano, que teve o desassombro de promover o recurso ao Poder Judiciário em defesa da Ordem Jurídica e, sobretudo, em resguardo das melhores tradições da bravura pernambucana, agredida pelo revoltante conluio que conduziu à aprovação da malfadada PEC nº 1-2011. Como ex-deputado deploro que já não haja parlamentares da estirpe de tantos antepassados como Gilberto Osório, Luiz Magalhães Melo, Armando Monteiro, Padre Felix Barreto, Oswaldo Lima Filho entre muitos outros da primeira legislatura pós-redemocratização (1947 a 1950).
E como tantos da legislatura pós-64, no mais crítico período da ditadura militar, entre eles Lael Sampaio, Marco Maciel, Antonio Correa, Egídio Ferreira Lima, Waldemar Borges, Fernando Lyra, Lívio Valença, Silvio Pessoa, Andrade Lima e tantos mais. É de justiça registrar, em homenagem à verdade histórica, a postura superior, honrada e republicana do então governador Nilo Coelho. Sem embargo de não ter sido eleito pelo voto popular, ele portou-se como autêntico democrata e soube respeitar as prerrogativas do poder legislativo. Os que hoje, ignorando os grandes feitos dos nossos antepassados ou tripudiando sobre eles, se acovardaram ante a prepotência do poderoso do dia, não se livrarão do julgamento da história, que certamente não será suave. Aos que se opuseram a esse desacato, votando contra, o merecido aplauso.
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