Te louvo em meio à tempestade - Antônio Campos

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11/04/2011

Te louvo em meio à tempestade - Antônio Campos

11/04/2011
Te louvo em meio à tempestade - Antônio Campos

Publicado na Folha de Pernambuco - 11.04.2011

camposad@camposadvogados.com.br

A escritora e atriz Cibele Dorsa não suportou a dor e, no último dia 26 de março, desistiu da arte de viver. Ela escreveu um e-mail ao editor da Revista Caras, Alberto Santiago, e postou um vídeo em homenagem ao noivo, Gilberto Scarpa, viciado em cocaína e recém-suicidado, com fotos do casal com a trilha sonora de ”Te louvo em meio à tempestade”, da banda Casting Crowns.  Posteriormente, Cibele escreveu uma mensagem, entrecortada, no microblog Twitter e, às 0h44, se jogou da mesma janela de onde Scarpa havia se jogado no dia 30 de janeiro deste ano. 

Gostaria de ter conhecido Cibele e encontrado com ela num bar deserto, ouvir a sua dor e tentar mostrar a beleza da vida, apesar de todo desalento e da gritante dor pelo inexplicável. Encontrar-me como um amigo-irmão de infância. Gostaria de ter tentado evitar o seu ato extremo. Ela disse: ”Como posso ser suicida se já me sinto morta?“. No entanto, durante a vida, morremos e renascemos várias vezes. Como disse o poeta Alberto da Cunha Melo: ”Por muitas mortes eu passei/e uma só não me convenceu:/a da espera, a morte sem soma/ total, sem deve-haver, sem fim“. 

O suicídio sempre trouxe uma grande atração, acompanhado de muitos debates acerca da polêmica. Afinal, o que leva uma pessoa a cometer esse ato e qual a intensidade da dor de quem chega a esse extremo? Perguntas sem respostas, pois não há como medir a dor sentida pelos outros. O fato é que, no suicídio, está a morte, em contraposição à vida - o grande espetáculo e o desafio maior de todos que lutam, de alguma maneira, para sobreviver. Viver é resistir. Além disso, existe a dor sentida pelos amigos e familiares que ficam e se consolam com as lembranças e o legado deixado pelos que desistem dessa luta incessante pela vida. 

“Maravilhas nunca faltam ao mundo e, sim, a capacidade de sentí-las e admirá-las“, disse William Shakespeare, o mestre das emoções. Tenhamos a convicção de que Deus, o Grande Ser Misericordioso, neste momento está com Cibele em seus braços, dando-lhe a paz e a calmaria que ela não conseguiu ter em seus últimos momentos devido à perda do seu grande amor. Um sentimento de amor que fica entre nós, traduzido como uma energia grandiosa, e que deverá acalentar a dor e a saudade daqueles que tinham, em Cibele Dorsa, um exemplo de pessoa, profissional e amiga.  

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