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23/09/2010Sem respostas - João Humberto Martorelli
23/09/2010
Publicado no Jornal do Commercio - 23.09.2010
Como cidadãos conscientes e eleitores mais ainda, deveríamos ter uma lista de questões para submeter aos candidatos nesta campanha presidencial, que vai deixando vazios extensos de conteúdo.
Ficamos sem saber, por exemplo, qual a postura da candidata do PT em relação aos seguintes temas: ditadura castrista, libertação e violação dos direitos humanos dos presos políticos em Cuba, repressão à liberdade de opinião e de imprensa, expropriação dos ativos de empresas estrangeiras, política belicista e, de modo geral, implantação da ditadura bolivariana na Venezuela, repressão à liberdade de opinião e de imprensa no Irã, continuidade da relação de amizade mantida pelo presidente Lula com Castro, Chávez e Ahmadinejad.
Também não surgiram na campanha posições quanto ao pagamento das indenizações aos que sofreram perseguições e prejuízos políticos durante a ditadura e a seus familiares, à Lei da Anistia, sua extensão aos militares que praticaram tortura (a opinião do candidato, não vale dizer que o STF já decidiu). Eu adoraria perguntar a um candidato, também: O senhor ou a senhora acha que os políticos da antiga Arena, atualmente em diversos partidos, principalmente no DEM, e que apoiaram o AI-5, são ficha-limpa?
Mais perguntas institucionais: O senhor ou a senhora é contra ou a favor do lóbi? Do aborto? Da legalização da maconha? Qual será a postura de seu governo em relação a: movimentos dos trabalhadores sem-terra e sem-teto e suas repetidas invasões de áreas privadas para simples ocupação e de prédios públicos em protesto contra decisões de governo? O senhor ou a senhora é contra ou a favor da privatização de estabelecimentos prisionais? O senhor ou a senhora é contra ou a favor da privatização dos demais serviços públicos, a exemplo de serviços de telefonia, energia, estradas, água, esgoto e saneamento? Qual a proposta de seu governo para a redução da jornada semanal de trabalho? Como seu futuro governo propõe enfrentar as deficiências estruturais do Brasil em educação, saúde e segurança? É contra ou a favor a unificação das polícias civil e militar? É contra ou a favor a participação das Forças Armadas em conflitos internos?
Quanto aos temas econômicos, algumas perguntas: Qual será a postura de seu governo em relação a: participação de capitais internacionais na aquisição de terras por estrangeiros, nos órgãos privados de imprensa e comunicação, a administração dos sistemas de protecionismo da produção industrial brasileira, sistema de patentes, enfrentamento das barreiras tarifárias impostas por países estrangeiros aos produtos brasileiros, apreciação do câmbio?
Qual a natureza da relação que seu governo manterá com o Congresso Nacional: há previsão de impedir a indicação de parlamentares para cargos no executivo? Qual a sua visão do Poder Judiciário brasileiro e o que o seu governo pretende fazer para contribuir na melhoria da prestação dos serviços jurisdicionais? O senhor ou a senhora pretende fazer as reformas política e fiscal? Como avalia a relação entre os Estados da Federação, notadamente a chamada guerra fiscal? É contra ou a favor da extinção do ICMS e a criação do IVA?
Mas a gente se esquece da lista e de tudo quando lê os jornais. Que maravilha: quem não se encanta com a história do servidor público da Casa Civil que, abrindo sua gaveta ao chegar ao trabalho, no Palácio do Planalto, descobre um envelope com R$ 200 mil e, candidamente, quase anjinho, pergunta: O que é isto?!!!
Ao ler a notícia, lembrei-me imediatamente do poema de Bandeira, se é que não ofendo o poeta e sua memória, Mozart entrando no céu fazendo piruetas extraordinárias sobre um mirabolante cavalo branco, os anjinhos atônitos a perguntar: Que foi? Que não foi? Existe nada mais puro? Bonito! Ingênua e poética, que bela a reação do assessor da Casa Civil, coitado, surpreendido com esse espetáculo de R$ 200 mil em sua gaveta, no despertar de uma manhã de trabalho. E seus colegas, quando indagados: - Ora, se não foi uma gratificação pelo negócio do remédio que saiu para aquele laboratório, não se lembra? - É, nem me lembrava, responde o ingênuo assessor. Só faltou ser beijado na testa pela Virgem Maria.
Como cidadãos conscientes e eleitores mais ainda, deveríamos ter uma lista de questões para submeter aos candidatos nesta campanha presidencial, que vai deixando vazios extensos de conteúdo.
Ficamos sem saber, por exemplo, qual a postura da candidata do PT em relação aos seguintes temas: ditadura castrista, libertação e violação dos direitos humanos dos presos políticos em Cuba, repressão à liberdade de opinião e de imprensa, expropriação dos ativos de empresas estrangeiras, política belicista e, de modo geral, implantação da ditadura bolivariana na Venezuela, repressão à liberdade de opinião e de imprensa no Irã, continuidade da relação de amizade mantida pelo presidente Lula com Castro, Chávez e Ahmadinejad.
Também não surgiram na campanha posições quanto ao pagamento das indenizações aos que sofreram perseguições e prejuízos políticos durante a ditadura e a seus familiares, à Lei da Anistia, sua extensão aos militares que praticaram tortura (a opinião do candidato, não vale dizer que o STF já decidiu). Eu adoraria perguntar a um candidato, também: O senhor ou a senhora acha que os políticos da antiga Arena, atualmente em diversos partidos, principalmente no DEM, e que apoiaram o AI-5, são ficha-limpa?
Mais perguntas institucionais: O senhor ou a senhora é contra ou a favor do lóbi? Do aborto? Da legalização da maconha? Qual será a postura de seu governo em relação a: movimentos dos trabalhadores sem-terra e sem-teto e suas repetidas invasões de áreas privadas para simples ocupação e de prédios públicos em protesto contra decisões de governo? O senhor ou a senhora é contra ou a favor da privatização de estabelecimentos prisionais? O senhor ou a senhora é contra ou a favor da privatização dos demais serviços públicos, a exemplo de serviços de telefonia, energia, estradas, água, esgoto e saneamento? Qual a proposta de seu governo para a redução da jornada semanal de trabalho? Como seu futuro governo propõe enfrentar as deficiências estruturais do Brasil em educação, saúde e segurança? É contra ou a favor a unificação das polícias civil e militar? É contra ou a favor a participação das Forças Armadas em conflitos internos?
Quanto aos temas econômicos, algumas perguntas: Qual será a postura de seu governo em relação a: participação de capitais internacionais na aquisição de terras por estrangeiros, nos órgãos privados de imprensa e comunicação, a administração dos sistemas de protecionismo da produção industrial brasileira, sistema de patentes, enfrentamento das barreiras tarifárias impostas por países estrangeiros aos produtos brasileiros, apreciação do câmbio?
Qual a natureza da relação que seu governo manterá com o Congresso Nacional: há previsão de impedir a indicação de parlamentares para cargos no executivo? Qual a sua visão do Poder Judiciário brasileiro e o que o seu governo pretende fazer para contribuir na melhoria da prestação dos serviços jurisdicionais? O senhor ou a senhora pretende fazer as reformas política e fiscal? Como avalia a relação entre os Estados da Federação, notadamente a chamada guerra fiscal? É contra ou a favor da extinção do ICMS e a criação do IVA?
Mas a gente se esquece da lista e de tudo quando lê os jornais. Que maravilha: quem não se encanta com a história do servidor público da Casa Civil que, abrindo sua gaveta ao chegar ao trabalho, no Palácio do Planalto, descobre um envelope com R$ 200 mil e, candidamente, quase anjinho, pergunta: O que é isto?!!!
Ao ler a notícia, lembrei-me imediatamente do poema de Bandeira, se é que não ofendo o poeta e sua memória, Mozart entrando no céu fazendo piruetas extraordinárias sobre um mirabolante cavalo branco, os anjinhos atônitos a perguntar: Que foi? Que não foi? Existe nada mais puro? Bonito! Ingênua e poética, que bela a reação do assessor da Casa Civil, coitado, surpreendido com esse espetáculo de R$ 200 mil em sua gaveta, no despertar de uma manhã de trabalho. E seus colegas, quando indagados: - Ora, se não foi uma gratificação pelo negócio do remédio que saiu para aquele laboratório, não se lembra? - É, nem me lembrava, responde o ingênuo assessor. Só faltou ser beijado na testa pela Virgem Maria.
