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17/09/2009Segurança: o exemplo da Colômbia - Francisco Papaléo
17/09/2009
Publicado no Diario de Pernambuco - 17.09.2009
fspapaleo@gmail.com
Estive duas vezes na Colômbia nos últimos três anos, participando de reuniões de trabalho e na condição de convidado do governo. Na visita que fiz a Medellín, fui levado a conhecer o plano de segurança implantado com a cooperação da sociedade, empresários e todas as esferas governamentais. Refiro-me ao seu projeto de Defesa e Segurança Democrática, que luta, toda hora - muitíssimo equipada - contra ações internas que possam colocar em perigo a vida e as pessoas. O lema - embora não seja explícito no programa: é possível prevenir a violência. O que mais me chamou a atenção foi a urbanização de antigas favelas e melhorias desenvolvidas nos meios de acesso a esses núcleos habitacionais, permitindo que qualquer um entre e saía sem nenhum problema. Antes, as favelas eram trincheiras de ladrões, assassinos e traficantes. Em todos os cruzamentos da cidade, assim como nas entradas de prédios públicos, shoppings, hotéis e nas estradas rurais, pessoas e carros são parados, revistados por soldados do exército notoriamente treinados, e um cão farejador verifica se a pessoa conduz algum tipo de droga. A vigilância ostensiva e preventiva é o remédio para coibir a violência no país, o trafico de drogas, assaltos e assassinatos.
As mortes, que aconteciam à luz do dia, em 95% executadas por motoqueiros que fugiam impunemente, foram eliminadas com a adoção de uma lei que exige que todos os condutores de motocicletas e seus caronas usem coletes com a placa do veículo permitindo a fácil identificação em caso de crime. O governo está dando continuidade a programas como o de recompensas, de redes de cooperação e insiste na busca de parcerias internacionais para luta contra o narcotráfico e o terrorismo. Percebe-se que a segurança pública no país, ao contrário do que ocorria no passado, tem uma firme centralização de comando. Falaram-me, por onde passei de contingentes que incluem unidades especiais de carabineiros, agentes antidistúrbios, esquadrões antibombas e investigadores, detectores de metais e helicópteros, que se distribuem pelos bairros mais populosos das grandes cidades, assim como de câmeras de vigilância para proteção dos habitantes. Hoje, a Colômbia - pelo que vi de perto, não é mais segura que o Brasil, mas, certamente, já foi mais violenta. As adoções de leis práticas, obrigatoriamente cumpridas e de uma vigilância constante tornaram a vida naquele país menos insegura.
O Brasil tem jeito, mas depende muito mais dos governos do que da sociedade. A violência pode ser combatida, com o instrumento do poder público, reconhecendo que, no bojo dessas ações, estão questões macroestruturais, conjunturais, sociais e culturais, relacionais e subjetivas, que devem ser necessariamente postas em execução.
