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01/08/2011Saudação póstuma a Luiz Carlos Monteiro - Antônio Campos
01/08/2011
Publicado na Folha de Pernambuco - 01.08.2011
Apresento-lhes o pedagogo, mestre em Literatura e amigo: Luiz Carlos Monteiro. Companheiro de trabalho e de vida, com quem compartilhei a organização de várias edições do Prêmio Maximiano Campos de Literatura e da coletânea ‘Pernambuco em Antologias’, e uma grande colaboração ao Instituto Maximiano Campos (IMC).
Homem íntegro e pernambucano, nascido em Sertânia e adotado pela Cidade do Recife. Consagrado no ramo da crítica literária, mas, foi além disso, e escreveu belíssimos textos e poemas. Foi aprovado no mestrado em Literatura com uma dissertação inédita sobre o poeta Carlos Pena Filho, a quem dedicou muitos versos, entre eles, o “Poema parco e tardio a Carlos Pena Filho”, onde, em um trecho, disse: “Tua voz semovente em meu peito/ com impulsão a cidade avançando/ Tua voz semelhando um cortejo/ pulsando com vida nas veias do sangue.”
Saúdo esse nobre escritor, eleito, no último dia 30 de junho, o novo membro da Academia Pernambucana de Artes e Letras (APAL). Pelo seu trabalho profissional e, ao mesmo tempo, humano, com um olhar atento e carinhoso aos que lhe cercam. Escreveu a obra “Para Ler Maximiano Campos”, onde narrou, com grandeza, a história pessoal e literária do meu pai. Autor, também, de “Vigílias”, “Na solidão do néon”, “Poemas” e “O impossível dizes e outros poemas”, além de mais de 200 artigos publicados e ensaios de críticas literárias em revistas, jornais, sites e blogs de Pernambuco e outros Estados.
Merecidamente, Luiz Carlos entra para o hall dos inesquecíveis ao receber o direito de ocupar a cadeira nº 10 da APAL. Contudo, a vida não lhe permitiu tomar posse de fato, mas apenas de direito. Como acadêmico, o recebo com imenso prazer e honra, por saber e reconhecer a sua importância para o mundo literário.
Por tudo que se dedicou a fazer em prol da boa Literatura. Pelos sonhos que persistiu em seguir e realizar. Pela intensa maneira que teve de viver e compartilhar os seus bons frutos profissionais e pessoais.
Descrevo e homenageio Luiz Carlos Monteiro, que faleceu no último Dia do Escritor (25 de julho), sem ter tomado posse na Academia, mas recebe essa saudação póstuma, com palavras que ele mesmo escreveu a respeito do meu pai e que dedico a ele: um homem que “teve um tempo de vida breve, porém rico e intenso de produção literária e de realizações pessoais [...] tendo transitado pela vida com um objetivo inequívoco e definidor: cumprir a sua missão humana e a sua jornada de escritor”.
