Roque de Brito Alves, o imortal - João Bosco Tenório Galvão

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01/03/2010

Roque de Brito Alves, o imortal - João Bosco Tenório Galvão

01/03/2010
Roque de Brito Alves, o imortal - João Bosco Tenório Galvão

Publicado no Diario de Pernambuco - 01.03.2010

jbtg@uol.com.br

Roque de Brito Alves foi meu professor de Direito Penal. Aulas proferidas com voz mansa, gestos lentos e muita tolerância conosco, pois éramos jovens inconsequentemente inquietos. O curso de Direito era na Católica, então cenário ruidoso da juventude por sua grande concentração de cursos e sua posição central na geografia do Recife. A Católica tinha rigores nos horários de aulas e era uma festa nos seus intervalos pela beleza presente em seus corredores. Lembro que o Prof. Roque era de pontualidade britânica na prestação de seus conhecimentos. Sua voz mansa era plena de conteúdo, não era voz de tribuno que impressiona e nos deixa no vazio. Lembro-me de seus interesses e aulas sobre as paixões humanas, o ódio, o ciúme, a inveja e o amor. Sobre crimes e castigos, sobre o aborto e suas circunstâncias, tudo sendo convertido em escritos que se transformaram em livros e mais livros, conferindo ao Prof. Roque uma grande notoriedade nacional e alhures. Era e é oProfessor Roque de Brito Alves uma dessas pessoas que chamamos de fino trato. De requintado gosto na mesa e na contemplação das artes, transformou-se em requintado gourmet e especial colecionador de objetos valiosos, cuja grande e bela coleção foi doada, em parte, ao Museu do Estado. São suas paixões: o crime como manifestação do comportamento humano e as artes que espelham a nossa imagem e semelhança com o Criador.

Algumas vezes, por contatos em viagens, concluo que a fama de Roque é maior fora de Pernambuco e no exterior (Portugal, Espanha e Alemanha) do que por aqui, onde os santos da terra não fazem milagres. Mas, agora já na maturidade, descobri em Roque outras qualidades. Grande companheiro de viagem, onde sua companhia pelo mundo afora é por deveras disputada, graças aos comentários brilhantes diante de um quadro, de uma cerâmica, ou de um menu desses que enchem nossas bocas d'água. Em Moscou relembro suas palavras sobre a história russa e sobre o belo Museu que nos aguardava na antiga Leningrado. EmCoimbra, senti orgulho de lá visitar em sua companhia e da igual Jurista Margarida Cantareli, pelo respeito que Juristas e Professores Portugueses lhes demonstravam. Aliás, tanto Roque quanto Margarida em Coimbra brilhantes aulas já proferiram.

Agora acompanhei de perto a indicação do imortal Antonio Correia do nome de Roque para Academia Pernambucana de Letras. Indicação acolhida por unanimidade dos eleitores presentes. Não era para ser por menos! Roque já é imortal em seus livros e na sua especial pernambucanidade que tanto nos orgulha. No meu tempo de universitário, tempos de grandes divisões políticas e acadêmicas, Roque era por todos querido e respeitado. Em breve teremos festa na APL, festa de sua posse como imortal das letras. Pernambuco precisa presenteá-lo com uma grande festa, do tamanho do carinho que Roque devota à ciência, às artes e a seus alunos. Que o nosso amigo continue a ter uma vida significativa, igual ao presente que doou ao Museu de Pernambuco.

 

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