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02/08/2010Risos e sorrisos - João Bosco Tenório Galvão
02/08/2010
Publicado no Diario de Pernambuco - 02.08.2010
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Riso é uma coisa e sorriso outra coisa. São irmãos univitelinos, iguais e diferentes. Mostram-se parecidamente nos levando a enganos quando os interpretamos nas eventuais emoções exibidas em faces alheias. O riso, na minha imaginação, é alegria, fartura, contentamento, é doação e troca. O sorriso é discreto, diante da frustração muda de cor, vira sorriso amarelo, disfarçando a perda, a derrota, o fim do sonho. O riso é barulhento, produto da esperança alcançada, diante do sucesso vira risada, quando grande se transforma em gargalhada ruidosa que ilumina a face do risonho. O riso gosta da companhia da alegria, das músicas ligeiras, do colorido, pois por não ter cor própria usa todas as cores criadas no nosso imaginário. O sorriso às vezes é afago e estímulo. Quem não já disse contente: ela olhou pra mim! O riso às vezes, em suas raras falhas, é mordaz, tirânico, ofensivamente satírico. Quem não já sofreu ao dizer a frase ela riu de mim! O sorriso pode estar numa face carregada de disfarçadas lágrimas de dor, pois se presta à função de máscara. Insisto, o sorriso só assume uma cor, o amarelo. No embaraço, na frustração, no orgulho ferido, na ausência de outros jeitos ou maneiras surge na face o sorriso amarelo, que nada mais é do que o riso desajeitado, forçado, impertinente e manco. Pode o sorriso ser persuasivo, moeda de troca usada no convencimento alheio. Como moeda o sorriso enriquece quem o recebe sem faltar aos cofres de quem o concede. O sorriso assim vira simpatia, arma poderosa no processo de sedução.
Quem muitos sorrisos dá mais enriquece a alma, pois nesses casos o sorriso se comporta como bumerangue. O riso não esconde nada. É retrato do momento da alma de quem ri. É contagioso e sem causa, pois tem gente que ri sem motivos, pois o espírito se encontra possuído pela leveza. Já o sorriso em certas ocasiões esconde nossos verdadeiros sentimentos, esconde a nós próprios. Quando se perde a capacidade do grande riso, que é a gargalhada, não perdemos opoder de sorrir escondendo nossas aflições. O cancioneiro já disse que o sorrir é mentir a própria dor fazendo o mundo supor que o sorridente é feliz. Quem nunca ri é cego na alma e tem os dias desperdiçados, pois um dia sem rir é como um dia aprisionado, é tempo perdido. Quem não tem motivos ao riso que seja contagiado pela risada ruidosa que se vê nos jovens e deles tome emprestado um sorriso e que ele seja multiplicador. É fácil sorrir, o difícil é manter-se risonho num quotidiano de tolices, pois valorizamos o que não tem sentido, esquecendo que no final por cima será uma laje e embaixo a escuridão. Pelas redundâncias e contradições acima resolvo dagora avante nunca rir de quem quer que seja, não rirei daqueles que eventualmente discorde. Assim sendo, decreto: jamais rirei de alguém! Vou sempre sorrir para gregos e troianos e para os que não sabem rir tentarei ensinar gargalhadas, esperando que a vida seja uma eterna alegria.
