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28/02/2011Restaurante Sara Barracoa - João Bosco Tenório Galvão
28/02/2011
Publicado no Diario de Pernambuco - 28.02.2011
jbtg@uol.com.br
Em Vila Nova de Famalicão deixei algumas impressões sobre o Recife e Pernambuco de tantas perguntas que respondí satisfazendo à curiosidade dos patrícios. Famalicão é uma cidade do Distrito de Braga, norte da Terrinha. Em área, é quase igual ao Recife e tem menos de 150.000 almas. Vizinha de Braga e de Guimarães, esta última orgulhosa de crer-se berço de Portugal.Famalicão desde 1985 é cidade, apesar de ter nascido como povoado lá pelos idos de 1200. Desobedecendo às leis de mercado, pois enfrenta a concorrência chinesa, Famalicão ainda tem sua indústria textil, com ruas e serviços de nos fazer inveja. É de lá um dos maiores escritores da lingua portuguesa, Camilo Castelo Branco, enaltecido pelos famalicencenses, diferentemente do que ocorre com Caruaru em débito com os irmãos Condé, com Austragesilo de Athaide, com o Prof. Luiz Pessoa, com Álvaro Lins jornalista, diplomata e escritor premiado e reconhecido aqui e alhures, mas, em sua terra quase desconhecido. Parece-me que entre nós é verdadeiro o brocado de que o santo de casa não faz milagres. Como dizia, criei algumas raízes em Famalicão. De modo especial a amizade pela senhora Sara que empresta o nome ao seu restaurante na Praça Dona Maria II, esquina com a rua do Ferrador. Ao entrar no Restaurante fui apresentado à D. Sara por meu amigo Alberto Varela, português em fase de pernambucanização. Foram várias idas em fins de dia após visitas a vilas, povoados, feiras e museus de todo o norte de Portugal. Em 14 dias ganhei amizades e 5 kilos. A culpa foi de Dona Sara e seus rojões à minhota, seus filetes de pescada, o bacalhau frito com arroz de feijão vermelho, sem esquecer o polvo cozido, a vitela assada e aos sarrabulhos, tudo preparado praticamente na nossa frente por D.Fininha, de batismo Conceição, fina de fisico e larga de gestos e gentilezas como a copiar as virtudes da patroa e amiga.
No jantar da despedida fui servido com um peixe ao fato, ou seja, um peixe ensopado num festival de legumes com um molho inesquecível, ricamente servido, pois vestido o peixe de alvo e fino linho. Quando José Paulo Cavalcanti lançar seu livro sobre Fernando Pessoa na terra de Camões, voltarei à Famalicão, à Rua do Ferrador para reencontrar D.Sara e Fininha no melhor restaurante do norte de Portugal, então, será o que Deus quiser.
