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27/06/2009Reminiscências e o Grande Prêmio Adelmar da Costa Carvalho - Vera Japiassu
27/06/2009
Publicado no Diario de Pernambuco - 27.06.2009
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A história aqui, para contar, é pretexto para a volta à belle époque. Para senti-la. Sentir o arrebentar do século 20 nas praias do Recife. Para sentir o espírito do tempo. Recife dos anos 20. Do ancoradouro do porto, da hora da tarde - hora, a da tarde. Cidade que não pode fugir do seu passado, de suas pitombeiras, da velha jaqueira perto do Rio Capibaribe onde singravam os velhos barcos. Resgate de um naufrágio das muralhas, do convento franciscano do povoado de Santo Antonio, das torres das igrejas e seus pombais. Fantasmagorias. Recife úmida, enevoada, cheia de pontes. Cidade de sonhos fragmentados e desconexos. Dos sonhos de um rapaz vigoroso, cheio de energia positiva. Sua terra, seu amor maior - um pouco depois das colinas de Olinda, mas ainda seu amor.
O futebol, nova linguagem gestual, atravessa os mares para desembocar entre os nossos. Dava-se início ao culto. Uma transformação que desaguaria em ritos de disputas e de integraçãonacional, para sempre.
Surgem modernas práticas esportivas, importadas da Europa com seus valores, signos, sentimento de pertencer, formação de uma nova identidade. Razão para disputar, usando a força física para irmanar-se, suar, atirar-se ao chão, brincar de bola, tomar um banho de rio e pegar uma fruta no pé. O pensamento voa, nostálgico e se situa, de volta àquela humilde agremiação de jovens irmanados no mesmo ideal, em torno do velho pé de sapoti centenário, atrás da Ilha do Retiro, com suas mirradas árvores e matagal característico de terreno ribeirinho e que iria servir de campo de futebol para o contagiante foot-ball inglês, incipiente prática que teria o poder de mover massas de seguidores.
O Campo da Avenida Malaquias, alugado, ponto de encontro dos jovens que competiam entre si, nas quadras e nos rios, desfraldando as bandeiras de seus times favoritos.
O jovem Adelmar da Costa Carvalho era atleta na década de 20. Zesantos; Carvalho e Palmeira. Imbatíveis. Todos eles transformar-se-iam, e Adelmarda Costa Carvalho, amadureceria empresário pernambucano, cheio de energia positiva, nos anos 40, 50, 60, que tantas transformações provocaria na face da cidade do Recife e permaneceria no inconsciente coletivo da cidade que tanto amou e dos que o conheceram pelos seus atos de doação. Pela presidência do Sport Club do Recife. Presidente Taumaturgo, benemérito, que tanto incentivou o clube do coração. Que tanto amou a bela cidade eterna. Ligado à vida esportiva, Adelmar será homenageado pelo Jockey Clube de Pernambuco no Grande Prêmio Adelmar da Costa Carvalho, neste domingo, dia 28 de junho.
