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10/01/2011Recall - Carlos Carvalho
10/01/2011
Publicado no Diario de Pernambuco - 10.01.2011
kochcarlos@hotmail.com
A palavra de origem inglesa tomou conta do mundo. As indústrias de um modo geral passaram a convocar seus clientes para a recolha do produto, devolução ou troca de peça, esta última muito comum na indústria automobilística.
Chamar de volta, convocar, solicitar são expressões similares e que traduzem bem o significado da palavra inglesa.
No caso de veículos temos uma gama ímpar e sem número de itens testados, re-testados e pós-testados o que preliminarmente afastaria grande soma de problemas.
Porém, a realidade é outra. Fabricados no Brasil ou importados, os veículos costumam apresentar os mais variados defeitos, desde uma jante empenada, que implica no consumo irregular de um pneu, até o mau funcionamento de equipamentos eletro-eletrônicos de última geração.
Digo-lhes isto por ter tido uma experiência, hoje curiosa e que na época me tirou o sossego.
Meu pai adquiriu um veículo de uma empresa multinacional, grande e moderna. Fui buscá-lo na agência. O vendedorveio e me deu, durante 30 minutos ininterruptos, os mais variados conselhos e explicações sobre o funcionamento.
Começou pelo ´não ligar imediatamente e sim mover a chave até a determinada posição, na qual a injeção eletrônica faria um determinado barulho, por segundos e em seguida completar a operação girando totalmente a chave`.
Explicações recebidas, carro ligado, engatei a ré e imediatamente o ar condicionado parou de funcionar.
Fiquei perplexo. O vendedor também não entendeu. Pedindo desculpas ficou com o carro.
Voltei, cheguei no escritório e dei a notícia.
No mesmo instante recebemos uma ligação do vendedor afirmando que um fusível havia queimado, o que acarretou a paralisação do ar condicionado.
Voltei no dia seguinte e repeti a operação, liguei o ar e dei ré. Novamente o fusível queimou e o ar parou. Desta feita, pedi para substituir na hora, e novamente repetindo a operação o resultado se repetiu.
Foi necessária a troca da instalação elétrica, segundo o vendedor, para normalizar o funcionamento,o que levou 10 dias.
Com 2.000km rodados viajamos para Natal-RN para o aniversário de um primo. Nas proximidades da cidade de Mamanguape-PB, a 5ª marcha começou a pular. Botava quinta e ela pulava. Fomos em frente e terminamos a viagem na terceira, pois a quarta também não sustentava.
Resultado, o carro ficou em uma concessionária de Natal-RN por 30 dias, aguardando a remessa de uma nova caixa de marcha que veio de São Paulo. Meu tio de Natal mandou o chofer trazer o carro, para testá-lo.
Estes foram alguns de uma série de defeitos que o danado do carro apresentou durante os cinco anos que ficou com meu pai.
Existem problemas e problemas. Sanáveis ou não. Para os insanáveis o caso é mesmo de devolução do veículo e havendo resistência, contar com o judiciário que em ação própria dará a solução.
