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25/10/2010Planejamento zero - João Bosco Tenório Galvão
25/10/2010
Publicado no Diario de Pernambuco - 25.10.2010
jbtg@uol.com.br
Recentemente, na orla de Póvoa do Varzim, norte de Portugal, andando com meu amigo português e recifense convicto, Alberto Varela, cidadão de Famalicão, ouvi que toda a infra-estrutura, esgotos, águas, eletricidade, existentes no famoso balneário estava feita para suportar a demanda de trinta anos adiante. Planejaram e economizaram. Tempo e dinheiro. Tempo que será empregado em novos planejamentos de escolas, ambulatórios, segurança, lazer, na qualidade de vida do poveiro. Dinheiro que não foi largado ao lixo ou aos bolsos dos espertos que sempre riem dos políticos honestos, apontando-lhes uma inexistente ingenuidade. Sabiam que os corruptos confraternizam entre si ridicularizando os políticos que só possuem o balaio de dar, enquanto outros só conhecem o balaio de receber ou de levar?
A falta de planejamento é vil, pois leva ao desperdício dos bens necessários às escolas, aos hospitais e ambulatórios, à segurança pública e até às esmolas distribuídas emportas de Igrejas. A falta de planejamento, refletida na ação de obras públicas executadas sob os ditames dos humores do administrador, ou de seus oráculos, geralmente empreiteiros de falsas obras, afoga o crescimento das cidades, aumentando suas dificuldades. Quando identificamos equívocos, ou seja, tiramos retratos de ações da administração pública, não estamos tomando posições políticas, assim como o fotógrafo não toma partido pela beleza ou pela feiúra da imagem refletida na foto.
O Recife que tem uma orla mais bela do que a de Póvoa, tem no seu retrato o desperdício refletido. Vejam o calçadão: há pouquíssimo tempo tiraram as pedras portuguesas e pavimentaram o calçadão com elementos cerâmicos. Tudo bem, não retrato se o calçadão ficou belo ou feio. Esta não é a questão. O xis do retrato é que os elementos cerâmicos, além de sua degradação antes mesmo de concluída a reforma da orla, está sendo arrancado, dando margem às mudanças que pretendem implantar nos quiosques que vendem cocos, cigarros, bebidase outras cositas. Veja o contribuinte que o piso do calçadão antes de sua plena conclusão já apresentava graves estragos, mesmo assim foi inaugurado. Não satisfeitos, os administradores começaram a implantação de novos modelos de quiosques, o que necessariamente implica na quebra parcial do piso do calçadão recentemente trocado. Enquanto isso, paralelamente, iniciam os trabalhos de proteção do calçadão com o uso de pesadas máquinas que destroem parcialmente o novo piso. No hall de prédios municipais funcionam verdadeiros mercados, num desvirtuamento do uso de imóveis públicos. Licitações são exigidas pelo Tribunal de Contas. As ruas esburacadas e cheias de lixo depõem contra os responsáveis pela administração. O cidadão comum não tem a quem reclamar. De qualquer forma rezemos ao Senhor esperando algum milagre de mudança de comportamento. Quem sabe se o Parque de D.Lindu será um dia concluído, pois festa de inauguração já assistimos.
