Pernambuco - Jardim dos Baobás - Antônio Campos

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20/06/2011

Pernambuco - Jardim dos Baobás - Antônio Campos

20/06/2011
Pernambuco - Jardim dos Baobás - Antônio Campos
Publicado na Folha de Pernambuco - 20.06.2011 
 
Na rua da minha  residência, no Poço da Panela, há um belíssimo exemplar da árvore Baobá, que tenho o prazer de me deparar sempre que vou para a varando do meu apartamento. Pernambuco, extensão da minha casa, é um verdadeiro Jardim dos Baobás, a árvore da vida. Atualmente, é a árvore símbolo do município de Ipojuca, que possui a maior quantidade desses gigantes concentrados em um só local no nosso Estado. No âmbito nacional, possuímos mais da metade dos Baobás catalogados no país inteiro.

Espécie nativa da África, os Baobás chegam a viver cerca de dois mil anos. Além da beleza estridente, fornece alimento, água e matéria-prima para roupas, medicamentos, enfeites e doces. A perfeita união da utilidade sustentável com a beleza ecológica, da vitalidade com a longevidade. 

Durante a quarta edição da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), em 2008, cujo tema foi a África, fizemos uma homenagem a essa espécie africana, em uma ação ecológica e cultural em Porto de Galinhas. Agora, durante a sétima edição da Fliporto, de 11 a 15 de novembro deste ano, em Olinda, chegou a hora de lançar um projeto cultural voltado para a sustentabilidade e área ecológica intitulado ‘Pernambuco - Jardim dos Baobás’. A intenção é, em parceria com o amigo e fotógrafo Marcus Prado, contar a história, em Pernambuco, dessa sagrada e bela árvore apresentada em um livro de Arte e também no meio virtual, através de um site. Haverá uma ação educativa na Fliporto Criança.

Além disso, fazer um mapeamento dos exemplares encontrados no nosso Estado e, principalmente, lutar pela preservação da espécie africana. É uma homenagem aos Baobás e reconhecimento do valor dessa árvore para o engrandecimento cultural e ecológico do Estado de Pernambuco. 

O mais famoso exemplar está, hoje em dia, localizado na Praça da República, no centro da capital pernambucana. Sobre ele, escreveu o poeta João Cabral de Melo Neto em seu poema “Um Baobá no Recife“: “Recife. Campo das Princesas./ Lá tropecei com um Baobá,/ crescido em frente das janelas/ do Governador que sempre há. / Aqui mais feliz/ pode ter úmidos/ que ignora o Sahel./ Dá-se em copudas folhas verdes/ que dão as nossas sombras de mel/ Faz-se de jaqueiras, cajazeiras/ Se preciso, catedral/ Faz-se de mangueiras, faz da sombra/ que adoça o nosso litoral/ Na parte nobre do Recife/ onde o seu rebento chegou/ Vive, ignorado, do Recife/ de quem vai ver o governador./ Destes, nenhum pensou (se o viu)/ que na África ele é cemitério./ Se no tronco desse Baobá/ enterrasse os poetas de perto,/ criaria ao alcance do ouvido/ senado sem voto e discreto/ Onde o sim valesse o silêncio/ e o não... sussurrar de ossos secos.”

camposad@camposadvogados.com.br
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