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11/10/2010Pernambuco em Antologias - Antônio Campos
11/10/2010
Publicado na Folha de Pernambuco -11.10.2010
O Instituto Maximiano Campos é uma organização cujo objetivo é preservar a memória pessoal e literária do escritor pernambucano Maximiano Campos - meu pai -, além de promover e divulgar a obra de escritores, sejam eles iniciantes ou já consagrados. Foi com a ideia de resguardar nossa literatura que o IMC produziu e editou as antologias que integram o projeto Pernambuco em Antologias - conjunto de obras que retratam fielmente a pluralidade literária pernambucana. As obras, organizadas por mim em parceria com grandes amigos, serão lançadas em novembro durante a 6º edição da Fliporto.
O primeiro livro da série chama-se Pernambuco, terra da poesia. Idealizada por mim e pela ensaísta Cláudia Cordeiro, a obra é um painel da poesia pernambucana entre os séculos XVI e XXI. Em quase 600 páginas de poemas escritos por mais de 160 poetas fizemos um registro da literatura nacional, desde o estreante Prosopopéia, de Bento Teixeira, até produções da famosa Geração 65, da qual meu pai fez parte. Através dessa coletânea podemos ter sempre conosco a história de Pernambuco de uma maneira mais clara e sublime, através da Arte Poética.
Creio que a principal função da poesia é passar adiante as verdades que habitam em nós de modo atemporal e que nos mostra como realmente somos. Concordo com o sábio Ferreira Gullar quando o mesmo diz “Pretendo que a poesia tenha a virtude de, em meio ao sofrimento e ao desamparo, acender uma luz qualquer, uma luz que não nos é dada, que não desce dos céus, mas que nasce das mãos e do espírito dos homens.”, pois a poesia é exatamente isso. É a verdade absoluta em cada um de nós.
Minha satisfação com o resultado de Pernambuco, terra da poesia me fez sentir a necessidade de criar outro livro. Desta vez, voltado à área da ficção. O outro volume da coleção é Panorâmica do conto em Pernambuco, fruto da minha parceria com o escritor Cyl Gallindo. A obra, cuja produção demandou a leitura detalhada de mais de 500 textos em livros, revistas, internet e até mesmo em acervos pessoais cedidos pelos próprios autores, resultou em uma síntese do que há de melhor na literatura de contos.
Grandes amores, aventuras e momentos marcantes da infância são narrados por escritores como o recém-falecido Amílcar Dória Matos, Gilberto Freyre, Luzilá Gonçalves e Raimundo Carrero, entre outros. A junção de textos tão valiosos é um apanhado da cultura nordestina, apesar de não ser possível reunir todos os bons autores em um só volume, pois, como afirmou Cyl Gallindo, “as coletâneas são como as publicações de obras completas de autores vivos: ficam sempre incompletas”, mesmo assim, acredito termos feito um belíssimo trabalho.
As antologias Pernambuco, terra da poesia e Panorâmica do conto em Pernambuco estão sendo re-editadas, em versões revistas e ampliadas.
A terceira e última parte da coletânea é uma seleta de crônicas organizadas por mim e pelo professor Luiz Carlos Monteiro. A antologia Cronistas de Pernambuco é um registro de autores pernambucanos acerca de situações cotidianas desde o século XIX. É uma obra com forte expressividade cultural, visto que une escritores de diferentes períodos da vida e da história pernambucana, não pela época em que viveram e sim pelo real valor de sua narrativa.
No mundo contemporâneo, nos tornamos cada dia mais individualistas e isolados. Contudo, precisamos estar unidos. Uma antologia é uma tentativa de união e como afirmou o inesquecível João Cabral de Melo Neto a reunião de diversos cantos é a responsável por uma grande manhã: “Um galo sozinho não tece uma manhã/ele precisará sempre de outros galos./(...) para que a manhã, desde uma teia tênue/se vá tecendo, entre todos os galos.”
A série Pernambuco em Antologias é exatamente isso. Através da reunião de contos, crônicas e poesias podemos mostrar Pernambuco como ele realmente é: pluralizado, mestiço e multicultural. Nos tornamos então capazes de transmitir ao mundo o valor de nossa terra iluminada, tanto pelo sol ilustrado em nossa bandeira, quanto pelo valor histórico, cultural e intelectual do nosso povo. É uma homenagem ao nosso Estado e a cada um dos pernambucanos.
