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24/05/2010Pecados - João Bosco Tenório Galvão
24/05/2010
Publicado no Diario de Pernambuco - 24.05.2010
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São novos os tempos e novos os pecados. Os de antigamente eram chamados de mortais e veniais. Uns eram passaporte para o inferno e outros caminho para o céu com estágio no purgatório. Os primeiros, os mais vigorosos e prestigiados pelo diabo, atentavam contra o amor a Deus e violavam diretamente as regras de conduta entregues a Moisés. Lembram-se das tábuas? Poderiam ser resumidois em dois: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Como transgressões a essas duas regras tínhamos a idolatria, ou seja, o amor aos fetiches idiotas e o desamor aos nossos próximos. Daí os pecados antigos dos homicidas, na extinção de vidas, dos adúlteros, na cobiça da mulher alheia, dos mentirosos na prestação dos testemunhos, dos que desonravam pai e mãe, que, por castigo, além do inferno teriam vida curta nesta terra de Deus. Ao lado da obrigação de amar a Deus e ao próximo com a cláusula de amarmos como amamos a nós próprios, outras obrigações surgiram. Foram regras ditadas pelos homens proibindo vícios e desejos, os chamados sete pecados capitais, alguns cantados em nossas novelas.
O primeiro, a vaidade que cega e faz esquecer a transitoriedade da vida, é purgado com o refrão do poeta: por cima uma laje embaixo a escuridão... Seguindo a tradição dos sete pecados, vem a inveja, sentimento vil tal qual sede que não sacia, mordida que não come. A inveja provoca tormentos a quem lhe possui, é triste! Como terceiro pecado vem a ira, embriaguez súbita, loucura breve, que às vezes nos cobra um pedágio pela vida inteira. Tem outro pecado que reina entre a miséria, a necessidade e a dissídia, é o pecado da preguiça. Oh, que pecado bom a doce preguiça! Quem inventou este pecado não sabe o que é uma brisa num dia de verão abaixo da linha do Equador. Porém, é bom evitar a preguiça habitual, pois é daninha e atravanca o progresso como diz o humorista.
Outro, dos pequenos pecados é a avareza. É o amor exarcebado ao dinheiro, aos bens. Ao ávaro falta tudo, muito maisdo que ao perdulário. Seu apego ao dinheiro cresce mais que a própria fortuna. Agora, falemos da gula, pecado inimigo da temperança. A gula inebria, frustra e mata. Também por seu egoísmo arranha o amor pois impede o partilhar do pão. Finalmente, vem a luxúria, pecado dos mais perigosos, viciante, abridor das portas do inferno pois nos leva à prática de todos os pecados e, por ser o mais poderoso pode nos dar uma ideia de como será o céu e o gozo eterno. Sem controle, a luxúria nos leva à eterna perdição e levava as mulheres ao apredejamento, pois sempre havia quem atirasse a primeira pedra.
Esses eram os velhos pecados. Agora os pecados são outros. Os pecados são praticados quando agredimos à natureza desperdiçando os seus recursos, poluindo o meio ambiente ou destruindo as nossas faunas e floras. O desperdício de água, a poluição do ar, a destruição de espécies, a queima de florestas, a malversação dos recursos públicos são os grandes pecados de hoje, que podem converter nossa única e minúscula morada, chamada terra, num inferno. Ainda há tempo para se afastar dos pecados que podem destruir a todos e a vida como a concebemos.
