Os injustiçados - Arthur Carvalho

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14/04/2010

Os injustiçados - Arthur Carvalho

14/04/2010
Os injustiçados - Arthur Carvalho

Publicado no Jornal do Commercio - 14.04.2010

Entrevistado pelo jornalista Marcelo Barreto, editor de texto e repórter de esporte da TV Globo, disse Gerson sobre Zizinho: "Esse era mestre. Melhor não vai ter. Difícil explicar o mestre. É a inteligência, a capacidade, Ph.D. O mestre não tem explicação."

Ao aproximar-se a Copa do Mundo da África do Sul, a mídia traz matérias sobre o assunto. Acho importante não somente recordar os tempos de glória do nosso futebol e suas conquistas históricas, reconhecendo e elogiando seus heróis, mas também lembrar os grandes craques, que, pelos misteriosos desígnios do destino, não se sagraram campeões mundiais. E eles foram muitos.

A lista desses injustiçados pela sorte seria longa e enfadonha, mas a citação de alguns deles é inevitável. Como explicar que o maior jogador de todos os tempos, depois de Pelé, o mestre Ziza, não tenha sido campeão do mundo? Contra a Iugoslávia, na Copa de 50, ele entrou com o joelho direito machucado, enfaixado e coberto por uma joelheira, após fazer compressa de água quente e passar pomada para cavalo de corrida, no local. Fez um gol na vitória por 2 x 0 e foi eleito o melhor em campo. Sua atuação inspirou o jornalista italiano Giordano Fattori, da Gazetta dello Sport: "O futebol de Zizinho me faz recordar Da Vinci, pintando alguma coisa rara". E aí? Como ele mesmo diria mais tarde, num desabafo infeliz, que lhe causou muitos dissabores: "Até Fontana foi campeão mundial". Para os que não se lembram, Fontana foi zagueiro reserva do escrete brasileiro, em 70, no México, tendo falecido aos 40 anos de idade.

Podemos dizer que todo o time que perdeu para o Uruguai, em 50, no Maracanã, foi castigado. A equipe de 82, na Espanha, também. Pena que craques como Careca, Leandro, Júnior, Zico, Éder, Falcão, Zé Sérgio e Joãozinho não tenham erguido a taça, o mesmo acontecendo com Leônidas da Silva, o Diamante Negro, o Homem de Borracha, Domingos da Guia, o Divino Mestre, Fausto, a Maravilha Negra, e Canhoteiro, nosso maior extrema-esquerda.

E Alfredo Di Stefano, a saeta rubia? E Eusébio, a pantera negra? E Kopa? E Heleno de Freitas, Labruna, Julinho, Baresi e Stanley Matthews?

E Buzanski, Lantos, Bozsik, Kocsis, Hidegkuti, Puskas, Czibor e Budai, da "seleção de ouro" da Hungria, derrotada na final, por 3 x 2, para a Alemanha Ocidental, em Berna, em 54, depois de ter aplicado 6 x 3, no English Team, em pleno Wembley, em 25 de novembro de 1953, considerado o amistoso do século?

E os discípulos do treinador da "laranja mecânica", Rinus Michels, referência ao filme de Stanley Kubrich, de 1971, A clochuborh orang, romance de Anthony Burgess? Querem ingratidão maior do que Joan Cruyff, dínamo da máquina de jogar bola da Holanda não ser campeão mundial, em 74, na Alemanha? E o hábil armador Gerril Muhreu? E o volante Arie Haan? E Suurbier e Ruud Krol voando pelas laterais como se fossem pontas?

Ah, como o futebol é ingrato! Como a vida é ingrata! Como aceitar a morte prematura de Castro Alves e o final melancólico de Casa Blanca?

Mais ainda, quando vemos a Argentina ser campeã mundial, roubando, em 1978.
 

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