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24/06/2009Os deuses contemporâneos - Roque de Brito Alves
24/06/2009
Publicado no Diario de Pernambuco - 24.06.2009
jodigitacao@hotmail.com
1 - Sem dúvida alguma na sociedade contemporânea existem três deuses que são os mais adorados: o dinheiro, o poder político e o sexo.
2 - Em verdade, o deus principal é o dinheiro, pois na teoria de Fromm atualmente vale mais "o ter" que "o ser" - vulgarmente afirma-se que a parte mais sensível do homem é o seu bolso e não a sua honra -, o status econômico ou financeiro é o que valoriza mais a personalidade e a sua conduta e não a qualidade do seu padrão ético, espiritual. O dinheiro escraviza o homem, tornando-o humanamente pobre, facilmente passa a ser avarento como nos personagens das páginas imortais de Moliére e de Balzac. Não vive a vida em toda a sua plenitude, apenas "existe" pela obsessão da riqueza. A única vez em que Cristo usou da violência foi contra "os vendilhões do Templo", em Jerusalém, contra os donos das moedas e mercadorias, sendo bem conhecidos os trechos do Evangelho e as lições dos filósofos medievais contra os males da riqueza. Afinal, por "30 dinheiros", ou "moedas", o Cristo foi traído.
3 - Em segundo lugar, para a busca ou posse do poder político (que se julga sempre como eterno e não transitório) todos os meios ou métodos antiéticos ou aéticos são válidos. Embora em nossos dias Maquiavel seja muito criticado teoricamente, a política, em geral, na realidade do mundo, aplica as suas teses ou "conselhos" plenos de cinismo para a obtenção ou manutenção do poder a qualquer preço, pois o resto é considerado como "intriga da oposição". Poder político que deturpa até a bela e profunda "Oração de São Francisco" quando na troca de votos ou de fatores proclama "que é dando que se recebe".
4 - Por último, o terceiro deus da sociedade atual - criminógena, assim, por sua própria natureza ou finalidade - é o sexo, sexo sem limites, buscando o prazer pelo prazer, sem medir consequências ou escrúpulos, fazendo com que passem a existir não homens e mulheres em toda a dignidade do seu ser porém somente "machos e fêmeas", tudo sendo "permitido"ou apreciado como "natural, sem "preconceitos", sem "tabus", livre de "falsos moralismos" argumenta-se sempre. A nudez dos corpos, em nossa opinião, corresponde ao vazio da alma e no culto ao corpo "malha-se" - inclusive sacrificando-se a saúde - para fisicamente embelezá-lo sem a preocupação do seu aperfeiçoamento moral, esquecendo-se a frágil condição da natureza humana que um dia voltará a ser pó. Particularmente, é lamentável que a mulher passe a ser não "pessoa" porém "objeto" - sobretudo "objeto de consumo" -, pois a sua nudez é usada para aumentar - "dar ibope" - audiência de televisão ou as vendas do comércio ou da indústria.
Com estes três deuses, razão tinha o papa João Paulo ao afirmar que o mundo atual vive e age como se Deus não existisse. (De férias em julho, somente em agosto voltaremos a escrever).
jodigitacao@hotmail.com
1 - Sem dúvida alguma na sociedade contemporânea existem três deuses que são os mais adorados: o dinheiro, o poder político e o sexo.
2 - Em verdade, o deus principal é o dinheiro, pois na teoria de Fromm atualmente vale mais "o ter" que "o ser" - vulgarmente afirma-se que a parte mais sensível do homem é o seu bolso e não a sua honra -, o status econômico ou financeiro é o que valoriza mais a personalidade e a sua conduta e não a qualidade do seu padrão ético, espiritual. O dinheiro escraviza o homem, tornando-o humanamente pobre, facilmente passa a ser avarento como nos personagens das páginas imortais de Moliére e de Balzac. Não vive a vida em toda a sua plenitude, apenas "existe" pela obsessão da riqueza. A única vez em que Cristo usou da violência foi contra "os vendilhões do Templo", em Jerusalém, contra os donos das moedas e mercadorias, sendo bem conhecidos os trechos do Evangelho e as lições dos filósofos medievais contra os males da riqueza. Afinal, por "30 dinheiros", ou "moedas", o Cristo foi traído.
3 - Em segundo lugar, para a busca ou posse do poder político (que se julga sempre como eterno e não transitório) todos os meios ou métodos antiéticos ou aéticos são válidos. Embora em nossos dias Maquiavel seja muito criticado teoricamente, a política, em geral, na realidade do mundo, aplica as suas teses ou "conselhos" plenos de cinismo para a obtenção ou manutenção do poder a qualquer preço, pois o resto é considerado como "intriga da oposição". Poder político que deturpa até a bela e profunda "Oração de São Francisco" quando na troca de votos ou de fatores proclama "que é dando que se recebe".
4 - Por último, o terceiro deus da sociedade atual - criminógena, assim, por sua própria natureza ou finalidade - é o sexo, sexo sem limites, buscando o prazer pelo prazer, sem medir consequências ou escrúpulos, fazendo com que passem a existir não homens e mulheres em toda a dignidade do seu ser porém somente "machos e fêmeas", tudo sendo "permitido"ou apreciado como "natural, sem "preconceitos", sem "tabus", livre de "falsos moralismos" argumenta-se sempre. A nudez dos corpos, em nossa opinião, corresponde ao vazio da alma e no culto ao corpo "malha-se" - inclusive sacrificando-se a saúde - para fisicamente embelezá-lo sem a preocupação do seu aperfeiçoamento moral, esquecendo-se a frágil condição da natureza humana que um dia voltará a ser pó. Particularmente, é lamentável que a mulher passe a ser não "pessoa" porém "objeto" - sobretudo "objeto de consumo" -, pois a sua nudez é usada para aumentar - "dar ibope" - audiência de televisão ou as vendas do comércio ou da indústria.
Com estes três deuses, razão tinha o papa João Paulo ao afirmar que o mundo atual vive e age como se Deus não existisse. (De férias em julho, somente em agosto voltaremos a escrever).
