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04/07/2011Os bombos de Braga - João Bosco Tenório Galvão
04/07/2011
Publicado no Diario de Pernambuco - 04.07.2011
A cidade de Braga, norte de Portugal, tem mais de 2.000 anos e continua, graças a Deus, uma cidade provinciana, de simplicidade agradável, onde o pegar na mão e o primeiro beijo têm forte conotação. Lá, no dia de São João tem bombos! Bote bombos nos ouvidos com percussões de grandes harmonias e alegrias. No São João deste ano, lá, confundi o som dos bombos com o eco das zabumbas das bandas de pífanos imortalizadas nos bonecos de Vitalino. Nas festas de São João de Braga também tem fogos que me ensurdeceram. Fechando os olhos, dando asas à imaginação, ouvi os estampidos dos bacamartes de Caruaru. Como foi boa a comemoração do único Santo canonizado por Jesus. No dualismo das simplicidades e riquezas existentes nas festas das duas cidades, Caruaru e Braga, com certezas portuguesas, senti a mesma emoção da recente infância, com o cheiro da fogueira, o gosto do milho se misturando com o doce sabor das sardinhas na brasa e o acre dos vinhos maduros, pois não os gosto verdes. Braga, como cidade, é uma joia e como tal foi tomada pelos mouros nos anos setecentos e dada à Princesa Teresa por seu pai, Afonso VI, como dote de casamento.
No dia de São João a cidade, em suas ruas, foi tomada por dezenas de bandas, orquestras, milhares de pessoas fantasiadas de santos, anjos, tais como pagadoras de promessas, num colorido bem típico de nossos trópicos. A catedral não cabia de gente durante o dia inteiro. Nas ruas de lá, como as daqui, o sagrado estava envolvido com o profano, com seus risos, tentações e pecados. Os jovens enfeitados tornavam a festa joanina mais bela. O norte de Portugal me parece colorido, pois já não vejo mulheres de preto com suas cabeças cobertas como as mouras de antão. O 24 de junho é dia de procissão em homenagem ao batizador de Jesus, com milhares de pessoas nas ruas acreditando nas coisas lá do céu. A multidão vinda de todos os cantos do mundo se encanta com os gaiteiros e grupos de Zés Pereiras, gigantones e cabeçudos similares aos nossos bonecos de Olinda. A festa tem seu final com o desfile perante às autoridades organizadoras da festa. Comparando as festividades deste norte português com nossas festas juninas do interior penso que o nordeste do Brasil é um imenso Portugal.
