Os 110 anos da Academia  - Roque de Brito Alves

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26/01/2011

Os 110 anos da Academia - Roque de Brito Alves

26/01/2011
Os 110 anos da Academia  - Roque de Brito Alves

Publicado no Diario de Pernambuco - 26.01.2011

jodigitacao@hotmail.com

1 - Nascida do idealismo do escritor Carneiro Vilela (autor do famoso romance ´A Emparedada da Rua Nova`), em 26 de janeiro de 1901, a Academia Pernambucana de Letras pode ser considerada velha somente cronologicamente por seus 110 anos que estão sendo comemorados porém culturalmente está cada vez mais viva ou jovem em sua atividade. Hoje está renovada materialmente pela restauração de sua magnífica sede (antiga Mansão do Barão Rodrigues Mendes de estilo neo clássico, construída na década de 1870) porém sempre aberta à sociedade com vários prêmios literários anuais, em uma demonstração evidente de que cumpre com a sua missão de servir à cultura em nosso estado.

Prêmios de ensaio, de poesia, de literatura infantil, de ficção, de escritura nordestina, de municípios pernambucanos e, afinal, de soneto que serão concedidos a vários vencedores escritores de nosso estado. Por outra parte, demonstrando o grande dinamismo culturalexistente atualmente nesta Academia, inúmeros foram os livros ultimamente publicados de grande valor e repercussão pelos confrades acadêmicos e podemos citar em tal sentido os livros de Rostand Paraíso, de Frederico Pernambucano de Melo, de Nelson Saldanha, de Fátima Quintas, de Abdias Moura, de Waldênio Porto, de Cyl Galindo, de Antônio Campos e também necessário citar os confrades que receberam grandes prêmios nacionais como Raimundo Carrero (Prêmio Literário da Cidade de São Paulo) e Milton Lins (Prêmio da Academia Brasileira de Letras).

Toda essa atividade cultural demonstra que a Academia está bem atuante, viva, cultuando o passado porém não vivendo unicamente do passado, está mergulhada no tempo presente, procura unir tradição e renovação, continua a produzir para atender às suas finalidades culturais.

2 - Atualmente, na Academia não existe ninguém com a paranoia de megalomania, de considerar-se ´gênio`, todos seus membros são homens comuns sempre com um ideal que é a busca do saber, busca profundamentemais humana e menos estressante que a busca do poder político ou a egoísta busca do lucro a qualquer preço e através de qualquer lei no mundo dos negócios. A Academia não é uma feira de vaidades, de simples diletantismos, de quimeras ou utopias, de reuniões sobre temas inúteis ou vazios ou mesquinhos, nela não se discute sobre ´o sexo dos anjos`, é fonte produtora de cultura como os inúmeros livros publicados recentemente pelos confrades e os prêmios literários ora concedidos. Na Academia, muitas vezes ´a arte imita a vida` e também, por várias vezes, ´a vida imita a arte` e os seus membros entendem que a vida deve ser humanamente e integralmente vivida na plena dignidade da pessoa humana, princípio aliás maior da nossa Constituição em nosso Estado Democrático de Direito. Ainda, a Academia não se limita a ser uma ´Academia de Letras`, isto é apenas dedicada à atividade literária em termos de romance, poesia, ensaio, crítica literária, crônicas, etc. e sim mais amplamente como sinônimo de cultura em termos defilosofia, de ciência e arte, a ampla ´Sofia` da filosofia grega, sendo inegável que tem contribuído decisivamente para a cultura pernambucana. 

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