O ying e yang do Carnaval - Gustavo Henrique de Brito Alves Freire

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25/02/2011

O ying e yang do Carnaval - Gustavo Henrique de Brito Alves Freire

25/02/2011
O ying e yang do Carnaval - Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Publicado no Jornal do Commercio - 25.02.2011

Mal tem início o ano-novo no Brasil e muitos já ansiosamente contam as horas, minutos e segundos para o Carnaval.

Fácil distinguir o lado ying (lado negativo) e, paradoxalmente, o yang (lado positivo) do reinado de Momo.

Os festejos carnavalescos foram trazidos pelos portugueses com o nome de entrudo, que era uma brincadeira de se jogar farinha, tinturas e até água suja entre os foliões, proibida oficialmente até que as batalhas passaram a usar confete e serpentina.

De origem indefinida, o termo Carnaval é por muitos situado no latim medieval como carnem levare ou carnelevarium, remetendo ao início do período de quarenta dias no qual os católicos eram proibidos pela Igreja de comer carne.

Igualmente indeterminado, o berço geográfico do Carnaval, para uns, estaria na Roma dos Césares, com suas saturnálias, enquanto para outros fincaria raízes na Grécia e nas celebrações da época de colheita das uvas para a feitura do vinho, daí a figura do rei Momo, uma das personificações de Dionísio, o deus Baco.

Entre os pernambucanos, o Carnaval se resume a uma autêntica sopa de letras: vai desde o desfile do Galo da Madrugada até os bonecos gigantes de Olinda, passando pelos papangus de Bezerros, pelo maracatu de Nazaré da Mata, pelos caiporas em Pesqueira, pelos caretas em Triunfo e por tantas outras manifestações, as quais, infelizmente, permanecem à espera de luxuosa transposição para o gênero dos livros-álbuns.

Particularmente na capital, Recife, a farra momesca começa com a entrega das chaves da cidade ao rei Momo e à rainha do Carnaval, na Praça do Marco Zero. Cumprido o ritual, já no dia seguinte, milhões se espremem para acompanhar o bloco do Galo da Madrugada, nascido em 1978 e considerado o maior do mundo pelo Livro guiness dos recordes.

Na vizinha Olinda, os blocos se concentram na região dos Quatro Cantos, entre as Ruas Prudente de Moraes, Amparo, Bernardo Vieira de Melo e Ladeira da Misericórdia. Tendo como abre alas o boneco do Homem da Meia-Noite, que estreou em 1932, ganhou uma companheira em 1967, a Mulher do Dia, e um filho, em 1974, o Menino da Tarde.

A folia termina (será mesmo?!) na quarta-feira, com o tradicional bloco Bacalhau do Batata, fundado em 1965, e que de início reunia profissionais que trabalhavam durante os quatro dias do Carnaval, como garçons, taxistas, faxineiros, policiais e motoristas de ônibus.

Tudo, claro, ao som do frevo (palavra que significa agitação, confusão, rebuliço, apertão em reuniões de grande massa popular em um vaivém de direções opostas), que mescla capoeira, o maxixe e a marcha, ritmo acelerado, que, desde pelo menos o século 19, caracteriza este Estado, que, indiscutivelmente, respira cultura por todos os poros.

Nem tudo, entretanto, é alegria no Carnaval. O aspecto negativo fica quase sempre com os excessos dos foliões, em geral dos jovens, destacando o consumo absurdo de bebidas alcoólicas, combinação que dificilmente dá certo, mas que muitos insistem em fazer.

Aliás, não sei quem decretou que, para pular Carnaval, só se for embriagado. O rei Momo é que não foi.

Portanto, folião, antes de pensar em encher a cara sem o risco de acabar quebrando a cara, lembre-se: Carnaval tem anualmente. Com a saúde não se brinca.

Um excelente Carnaval para todos.



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