O Vaidoso é aquele que perdeu o senso do ridículo - Manoel Fernandes Maia

Notícias

03/06/2010

O Vaidoso é aquele que perdeu o senso do ridículo - Manoel Fernandes Maia

03/06/2010
O Vaidoso é aquele que perdeu o senso do ridículo - Manoel Fernandes Maia

Publicado na Folha de Pernambuco - 03.06.2010

No mundo inteiro existem seres extremamente vaidosos, sejam homens, ou mulheres.Não tem idade. Adultos, jovens e até mesmo crianças são vaidosas. Podem até ser pessoas mais pobres, entretanto esta doença aparece mais em indivíduos das classes mais abastadas. A pessoa em questão cria uma fantasia e vive nela, vira um presunçoso de cara. Dá logo para notar, basta conversar um pouquinho com ela. Tem o desejo de atrair a atenção e a admiração das pessoas, seja em atos ou em conversas, em grandes ou pequenos grupos. Na sociedade em que vive o vaidoso, ele se acha a última palavra. Na verdade, é cercado por quem precisa dele, de uma forma ou de outra. Perde totalmente o senso do ridículo, e por esta razão vira notícia ou citação quando sai de uma roda de conversa, pelos que se divertem com ele.

Na Cidade do Recife, cujo poder da cana-de-açúcar em muito contribuiu para esta arrogância, existem muitos vaidosos. Pessoas de famílias acostumadas com escravos, cheias de preconceito. Descontavam suas frustrações nos pobres negros, comprados em mercados como bichos, vindos ou encomendados na África. Acompanho os movimentos políticos, sociais e econômicos há muitos anos e observo estas ôavesö que se acham raras.

Evidente que não generalizo, pois existem pessoas que fazem caridade e não abrem o bico para falar nem se promover pela mídia. Algumas têm facilidade de usá-la, pois muitas vezes são donos de parte dela, ou tem poder econômico para tal, mas são pessoas simples.

Existem festas ou outras comemorações, que são verdadeiros acontecimentos cinematográficos. O lado feminino se esmera com seus vestidos de costureiros famosos. Os homens com seus ternos escuros, suas camisas e gravatas e marcas consagradas. Os convites para tais eventos são nervosamente esperados pelos apaixonados em aparecer.

Este meu Recife que tanto amo e é engraçado mesmo! Faço parte disto tudo. Gosto e vou para os eventos quando sou convidado, e lá encontro velhos e bons amigos.

Gosto de dançar com minha esposa, minhas cunhadas e sobrinhas. Não gosto de beber. Só bebo refrigerantes e sucos e o bom disto é que posso ver melhor a vaidade das pessoas. Isto não me incomoda nem um pouquinho. É uma distração a mais, além da festa.

Imagina que conheço estas “aves”. Umas não vão a qualquer lugar, mandam suas esposas representando, ou seus filhos, que já dão sinal que vão começar ou já começaram a “besteirada” do pai. São os sinais de “superioridade”.

Olha, meus caros leitores, existe isto como falei logo no início, em qualquer classe social, pois o homem é um só, cheio de valores diferentes adquiridos na infância, no convívio com o núcleo familiar, que lhe influencia, e com sua personalidade muitas vezes inquieta.

O pessoal da “elite”, mesmo num restaurante só se levanta para quem quer, mesmo quando está de bom humor (o que é difícil). São, muitas vezes, tão mal-educados que não se levantam nem para uma senhora. Neste caso, é melhor fazer como alguns que desviam até o olhar.

Telefonar para outro que considera de menor “qualidade”, nem pensar. É sempre a secretária ou seus familiares para depois entrar na linha. Algumas mandam um recado: “Diga a ele que mandei meus parabéns pelo dia de hoje”.

No meio de tudo isto, ainda poderia citar inúmeras situações engraçadas. Algumas mal-educadas. Existe a figura do “Bobo da Corte”, veja nossa tradição de quem fomos monarquia. O bobo da corte é aquele bajulador. Ele serve a “elite”, segura até o cachorrinho da senhora e em tudo faz graça. Agrega-se ao núcleo familiar e quando nota que alguém está triste, sofre com os mesmos. O pior é que sofre mesmo. Vive uma fantasia igualzinha a todos que entram nesta. Agora, tem gente da família que tem personalidade e não entra neste jogo de vaidade.

O que escrevi serve para os dois sexos, em todas as situações citadas, ora me refiro a ele ora me refiro a ela. Qualquer semelhança com o que escrevi ou fato que citei é mera coincidência, mas o vaidoso mesmo, é aquele que perdeu o sentido do ridículo.
 
 

Voltar