O regresso - Arthur Carvalho

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27/07/2011

O regresso - Arthur Carvalho

27/07/2011
O regresso - Arthur Carvalho
Publicado no Jornal do Commercio - 27.07.2011

Daqui de cima onde me encontro, vejo os automóveis regressando para casa, ao cair da tarde, depois do expediente. Eles fazem fila na Ponte da Capunga e se locomovem lentamente, com os faróis acesos. São veículos de toda espécie, carros de passeio, em sua maioria, ônibus de transporte urbano e de linhas regulares do interior, que passam em direção à Av. Caxangá, de onde alcançarão Camaragibe, São Lourenço e outras cidades da Zona da Mata.

Passam caminhões, motos e, em grande quantidade, ambulâncias, viaturas policiais e do Corpo de Bombeiros. Surgem ainda bicicletas e homens, velhos, mulheres e crianças empurrando carrocinhas de recolher papelão, garrafas PET, latas de refrigerante e cerveja vazias e restos de comida. Alguns desses catadores costumam abrir os sacos plásticos de lixo que os edifícios residenciais depositam nas esquinas para serem recolhidos pelos garis da prefeitura.

Mas vem muito motorista também, pela Av. Beira-Rio, proveniente da Praça do Internacional, que ultrapassa o sinal da ponte da Capunga na Av. Joaquim Nabuco, em direção à ponte da Torre, com opção de seguir em frente, cruzar o sinal da ponte, pegar o trecho final e novo da Av. Beira-Rio, contornando o enorme terreno da antiga Fábrica da Torre para alcançar o chamado viaduto do Carrefour. Isso tudo seria apenas sucinta e enfadonha descrição desse trânsito, na maioria das vezes engarrafado, se esses carros não trafegassem com os faróis acesos, ao entardecer. Não somente para que seus motoristas enxerguem melhor o caminho, mas como quem comunica e avisa que seu expediente acabou naquele dia e ele volta pra casa, pro seu lar, cansado e com a consciência tranquila pelo dever cumprido.

Hora em que as pessoas caminham e fazem o cooper na pista da Beira-Rio. Pessoas de todos os sexos e idades, que, por qualquer conveniência, preferem se exercitar ao crepúsculo, apreciando o Rio Capibaribe, os manguezais verdejantes e as rosas vermelhas, os botões de tulipa e porcelana e os arco-íris que são vendidos em caminhonetes ao longo da avenida.
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