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28/04/2010O novo Imip - Arthur Carvalho
28/04/2010
Publicado no Jornal do Commercio - 28.04.2010
Convidado por Myriam Asfora, fui conhecer as obras e projeto do novo Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira, nascido Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), lá encontrando seu presidente Antônio Carlos Figueira e vice-presidente Bertoldo Kruser.
O Imip é uma entidade não governamental, sem fins lucrativos. Fundado em 1960 por um grupo de médicos pernambucanos, liderados pelo Prof. Fernando Figueira, tem, como objetivo, atender mulheres, crianças e adolescentes da população carente com os melhores recursos técnicos e científicos disponíveis e contribuir para a qualificação de recursos humanos na área da saúde, proporcionando uma formação técnica e ética. Foi o primeiro do Brasil a receber o título de Hospital Amigo da Criança, concedido pela Organização Mundial de Saúde/Unicef/Ministério da Saúde.
Quando eu passava de carro ao largo do Hospital Pedro II, deplorava suas condições de abandono, pintura e paredes descascadas, janelas estragadas, e me lembrava dos áureos tempos onde ali trabalharam durante muitos anos, entre outros, sumidades como Marques Arnaldo, Romero e Ruy João, Eduardo Wanderley, Monteiro de Morais, Arsênio Tavares, Manoel Caetano, Francisco Montenegro, Alcides Fernandes, Martiniano Fernandes, Ruy Tavares, Walter Costa, Salomão Kelner, Lalôr Mota, Saulo Suassuna, Clóvis Paiva e Geraldo Sá. E aquela decadência me constrangia, me deixando triste, porque essas coisas entristecem. Agora, não, fui testemunha pessoal da grande obra que o Imip está realizando ali, ressuscitando aquele que foi durante anos consecutivos, o mais tradicional dos hospitais de Pernambuco, reconhecido como uma das estruturas hospitalares e de pesquisa médica mais importantes do país, onde pontificavam renomados mestres da medicina do Nordeste, formando gerações de clínicos notáveis, curando e reabilitando milhares de pacientes.
Em março de 2007, o Imip lançou oficialmente o Projeto de Restauro e Modernização do Hospital Pedro II, um dos 10 prédios que compõem o complexo hospitalar, atendendo a um antigo anseio da comunidade médica e da população pernambucana. Além das áreas de mutação, cirurgia, ambulatório, exames, educação e pesquisa, o hospital abriga o Espaço Ciência e Cultura, construção anexa ao prédio, destinada à realização de eventos, como congressos, convenções, conferências e telemedicina, em auditório lindo, climatizado, confortável, para 720 lugares.
Visitando essas dependências, com Antônio Carlos, filho de Fernando Figueira, Bertoldo Kruser e Myriam Asfora, fiquei admirado e contente ao constatar que o Imip contribuirá com significante parcela da ciência médica e do atendimento da enfermagem e demais funcionários, do mais graduado ao mais humilde, para desafogar o precário sistema de saúde de Pernambuco, inclusive no setor de emergência, aliviando o fluxo e a superlotação de hospitais da rede pública, como o da Restauração, o Getúlio Vargas e o das Clínicas, por exemplo. Nota-se o devotamento de Antônio Carlos Figueira, Bertoldo Kruse e Myriam Asfora, pela nobre causa. Impressiona o idealismo que os move. Quando por ali eu passar para audiências no Foro Rodolfo Aureliano, já poderei olhar sem nostalgia para o Hospital Pedro II, de arquitetura histórica em estilo clássico, da década de 30. Nem tudo está perdido.
