O goleiro Bruno - Luciano Pereira de Carvalho

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22/07/2010

O goleiro Bruno - Luciano Pereira de Carvalho

22/07/2010
O goleiro Bruno - Luciano Pereira de Carvalho

Publicado no Diario de Pernambuco - 22.07.2010

adv.luc@terra.com.br

Em tempos passados se costumava dizer que o jogador de futebol era o cara cuja inteligência descera para os pés. No caso do goleiro Bruno, para as mãos. Mas os jogadores desenvolviam as suas qualidades de maneira simplória. Era até certo ponto, uma profissão quase insignificante. De pessoas simples, cultural e economicamente. Geralmente de origem humilde. Não eram enaltecidos nas páginas esportivas. Aliás, nem havia caderno especifico de esportes, na imprensa escrita. Os salários eram de pouca monta. Moravam na periferia. Não possuíam mansões, casas de campo e carros importados. Contratação de propagandas de materiais esportivos, nacionais e internacionais, nem falar. A imprensa não destacava, nem enaltecia exageradamente as qualidades futebolísticas, daqueles profissionais. Por isso não havia ídolos. Nem autênticos deuses, ou semideuses. Porém, com a expansão da modalidade, o futebol assumiu a liderança das atividades esportivas, no mundo. Onde arecompensa econômica, quase toda subsidiada por anunciantes de peso, contribuem para os Brunos da vida se considerar pessoas especiais, cheias de "glórias", pelos aficionados do futebol moderno.

Assim, esses pobres Brunos, passam a se considerar os ídolos, os imortais, os divinos. E que se acham acima de tudo e de todos. Constroem, sem perceber, castelos inconsistentes de conjecturas em que acreditavam. São reconhecidos como os heróis das multidões. Como podem, portanto, suportar indiferente, as insolentes exigências de mulheres que tiveram a "glória" de ter um filho de qualquer um deles? E ainda mais que, audaciosamente, exijam o reconhecimento da paternidade e a consequente manutenção da criança? O fator econômico se torna insignificante. Mas audácia sim - insolente. Por isso, não ligam que os filhos espúrios e as mães solteiras, assumam a indigência, o desamparo e a lassidão. Isso porque ninguém jamais poderia "atazanar" os seus juízos, sem responder por isso. No caso de Bruno, certamente se passa em suamente apertada, o pensamento: Logo eu, goleiro do Flamengo? Da maior torcida do Brasil? Em vias de me transferir para o futebol europeu? Assim, as pretensões como as de agora foram suficientes para que se desencadeasse a erupção da violência, do ódio incontido e da intolerância sem precedentes, transformando aquele sentimento numa força desprovida de piedade, compaixão e justiça. E mais ainda, desprezando os territórios e as fronteiras da honra e da dignidade, mas repletos das paixões irracionais. Chegando a abandonar a vergonha que impede os homens de cometerem as piores atrocidades.
 

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