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15/01/2010O caso Dreyfus - Luciano Pereira de Carvalho
15/01/2010
Publicado no Diario de Pernambuco - 15.01.2010
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Um dos mais polêmicos processos judiciais da história - o chamado Caso Dreyfus - teve início no final do século 19, quando foram encontrados documentos comprometedores na Embaixada alemã em Paris. E o serviço secreto francês entendeu que havia um traidor entre seus oficiais. O capitão de artilharia do exército Alfred Dreyfus, de origem judia e que por esse motivo fora injustamente acusado e condenando à prisão e ao degredo perpétuo na ilha do diabo. Dizia-se, sem qualquer prova, que ele teria vendido segredos militares aos alemães. Na época se comentava em qualquer esquina de Paris que não havia infortúnio mais doloroso, no homem honesto, que sofrer o martírio da sua honestidade.
Dentre os defensores mais ardorosos de Dreyfus se destacou o escritor e romancista Emilio Zola, que chegou a escrever vários artigos em jornais parisienses, dentre os quais, um especialmente dirigido ao presidente da França, intitulado J'acuse - Eu acuso. Com a sua linguagem literária, porém forte chamou a atenção do mundo para a sua tarefa de julgar a Justiça. Reconhecendo publicamente que um outro crime fora dirigido a um inocente: o crime social do anti-semitismo. Ao criticar veementemente os julgadores de Dreyfus, Zola dispara: "E tanto mais odiosa e cínica quanto eles mentem impunemente sem fornecer provas, agitando a França, escondendo-se atrás de sua legítima emoção, fechando as bocas ao perturbar os corações, pervertendo os espíritos. Não sei de nenhum crime cívico maior. E esses homens dormem e têm mulheres e filhos!". E por isso também Zola chegou a responder processo criminal e ser condenado à prisão.
Finalmente, alguns anos depois, a Corte de Apelação anulou a sentença. Dreyfus foi reintegrado ao exército e promovido a Major. Na sua satisfação Zola ainda afirmou: "Juventude, juventude! Fica sempre com a justiça. Se a ideia de justiça se obscurecer dentre de ti correrás todos os perigos. E não falo da justiça dos nossos códigos, que é apenas a garantia dos laços sociais. É preciso respeitá-la, certamente, mas há uma ação mais alta de justiça, a que afirma em principio que todo julgamento dos homens é falível, admite a inocência possível de um condenado, sem com isso insultar os juízes". E na libertação, ainda escreveu para a esposa do Dreyfus, nesses termos: "Ele pode agora dormir tranquilo e confiante, senhora, no doce refúgio familiar aquecido por suas mãos piedosas".
