Nomes próprios, porém impróprios - Giovanni Mastroianni

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30/12/2010

Nomes próprios, porém impróprios - Giovanni Mastroianni

30/12/2010
Nomes próprios, porém impróprios - Giovanni Mastroianni

Publicado no Diario de Pernambuco - 30.12.2010

Comentarista esportivo, durante mais de quarenta anos, jamais aceitei que alguns atletas fossem conhecidos por alguns antropônimos comuns, ou sejam, nomes próprios, pois os considerava impróprios para seu uso no cotidiano. Apreciador do esporte bretão, desde a década de 40, acostumei-me com a formação de algumas equipes como a do Flamengo, tricampeã do Rio de Janeiro, de 1942 a 1944, à base de Jurandir, Domingos e Newton; Biguá, Bria e Jayme; Valido, Zizinho, Pirillo, Perácio e Vevé ou então, em outro tricampeonato, de 1953 a 1955, com Garcia, Pavão e Juvenal; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel, Moacir, Índio, Dida e Esquerdinha. Achava e sempre julguei serem nomes interessantes e apropriados para uma equipe de futebol. Não sei se é o mesmo pensamento dos meus leitores, acostumados com Magrão, Luizão, Marcão, Fernandão, Maicon, Neymar, Nilmar, Arouca, Deola, Kaká, Gum, Léo, Hulk e outros mais. 

Ignoro qual o motivo. Talvez, apenas, por umaquestão de gosto, não aceite a escalação de atletas com certos prenomes, embora, nada tenha contra. Sinto não serem apropriados: Antonio, João, Pedro, Manoel, Sebastião, Severino, Valdemar, Francisco, Joaquim, Carlos e José. Em vez de Antonio, soa bem melhor um apelido como Toninho, Toinho, Tonhão, Tony ou Antoninho. No lugar de João, Joãozinho e, no de Pedro, Pedrinho ou mesmo Pedrão. Uma alcunha certa para Manoel, tanto faz ser Nezinho, Manoelzinho, Manu como Mané. Para Sebastião, o apodo correto é Tião ou Seba. Para Severino, é comum apelidar-se Biu, embora Seve caiba bem melhor. Para Valdemar, vi muito Dema, ou mesmo Val, jogando. Chico, Chiquinho, Fran e Francis têm de montão por aí, para o lugar de Francisco. A escalação de Quinca ou Quinzinho é bem mais sonante que a de Joaquim. E para José, caem bem, como numa luva: Zezé, Zeca, Zezinho, Zequinha e uma infinidade de outros ´zinhos`.Nada tenho contra alguns nomes. Nem eu mesmo escaparia de ser incluído entre as não sugestivas designações deste meu artigo, pois descendente de italiano, meu nome de batismo é Giovanni. 

Mas, se a nacionalidade de meu pai fosse a brasileira, poderia ter-me batizado João, prenome correspondente em português.Faço exceção para nomes do tipo João Paulo, José Roberto, Mário Sérgio e Pedro Amorim. Se fosse técnico de futebol, jamais escalaria minha equipe assim: Aristóbolo; Pedro, Manoel, Joaquim e Francisco; Antonio, Sebastião e João; Severino, José e Valdemar. Mas, mandaria a campo: Ari; Dinho, Manu, Quinzinho e Francis; Toninho, Seve e Jaú; Seba, Zezinho e Dema. Ideal, entretanto, seria uma formação, hipotética, com esses craques: Castilho, Domingos da Guia e Pinheiro, Bauer, Danilo Alvim e Nilton Santos; Tesourinha, Zizinho, Ademir, Pelé e Pepe. Todos vi jogar e foram eles, certamente, alguns de meus ídolos em um passado remoto. 

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