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09/09/2009No oceano da vida - Arthur Carvalho
09/09/2009
Publicado no Jornal do Commercio - 09.09.09
Convidado pelo amigo Luiz Augusto, um dos mais competentes práticos de barra do Brasil, fui almoçar no Bar de Geraldo, em Santo Amaro, na companhia do capitão de mar e guerra Jorge Augusto Baltazar de Lara e do Capitão dos Portos de Pernambuco Joése de Andrade Bandeira Leandro.
Gostei do bar de Geraldo. Ambiente aconchegante, lembrando os botequins clássicos do Rio de Janeiro, frequência alegre e heterogênea. Nossa conversa estava animada, e como seria natural, o assunto era navio. O comandante Lara contou sua saga quando, na Marinha, foi servir nos confins da Amazônia, ainda tenente. Disse, entre outras coisas, que o calor, a imensidão da floresta, a umidade e a quantidade impressionante de mosquitos tornam a vida naquela região quase insuportável. Que é preciso muita força de vontade, rígida disciplina e idealismo para servir à pátria naqueles distantes quinhões. Tinha noite em que se via em apuros no comando de seu barco, ancorado na escuridão dos rios sem fim, tendo como luz apenas o clarão da Lua, aplacando a solidão. Na Amazônia passou cerca de quatro anos, para depois vir ser capitão dos portos de Pernambuco, onde fixou residência por ter aprendido a amar o Estado, sendo ele carioca.
O Capitão Leandro disse que a Capitania dos Portos de Pernambuco é de grande importância para o Nordeste, a Marinha e o País. E que seu trabalho e o de sua equipe têm sido voltados para o homem, a formação do marinheiro e de certo modo o amparo às camadas desfavorecidas da população, na medida do possível. Leandro e Lara concordam numa coisa: o nordestino é, de índole, trabalhador e honesto, motivo pelo qual merece assistência e atenção especiais.
Como o leitor pode ver, o papo estava voltado para temas, digamos, sérios, mas o boêmio e exímio tecladista Luiz Augusto, com a verve de sempre, enveredou por casos pitorescos, relembrando as serestas e noites estreladas, no Cais do Porto, e a dificuldade de se comunicar com comandantes de embarcações de bandeiras "alternativas", chegando a relatar episódios de tentativa frustrada de diálogos travados entre ele, no exercício de praticagem da barra, e alguns desses comandantes de cargueiros de nações distantes.
P.S. – Cleveland Araújo viajou, de repente, desfalcando o já desfalcaldo time do Moscozinho. Delegado de carreira, aposentado, foi secretário adjunto da Secretária da Segurança Pública e era um cara distinto, cortês, competente, discreto e estimado pelos colegas.
