Minas de Maragogi - Arthur Carvalho

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13/10/2010

Minas de Maragogi - Arthur Carvalho

13/10/2010
Minas de Maragogi - Arthur Carvalho

Publicado no Jornal do Commercio - 13.10.2010

Foram encontradas minas marítimas da Segunda Guerra Mundial, em Maragogi, litoral Norte de Alagoas. A Marinha está varrendo o local, tentando achar, na medida do possível, todas as minas ali enterradas. Interessante, por dois motivos: primeiro, porque a guerra acabou em 1945, portanto há 65 anos, e segundo, porque ainda tem gente grande dizendo que não houve guerra no Brasil. A Marinha quer saber se essas minas são de procedência alemã ou americana. Em tese, poderia ser também italiana, uma vez que submarinos italianos também rondaram nossas costas durante a guerra.

São muitas as lendas em torno da atuação dos submarinos nazistas no nosso litoral, principalmente do sul da Bahia até o Maranhão. Um dos boatos mais comuns, à época, e que perdurou durante muito tempo, inclusive após a guerra, era o de que os navios mercantes brasileiros foram torpedeados por submarinos americanos para forçar o Brasil a entrar na guerra contra as forças do Eixo. Isso foi desmentido e esclarecido pelo historiador Hélio Silva em seu livro Guerra no continente, em que ele descreve todos os torpedeamentos de embarcações brasileiras feitos pelos submarinos alemães, baseando-se no arquivo secreto da Marinha de Guerra Alemã, em Berlim.

Costuma-se dizer que esses torpedeamentos foram covardes, uma vez que suas vítimas eram navios mercantes neutros que transportavam passageiros civis. Longe de se querer justificar ou explicar esses naufrágios, diga-se, a bem da verdade, que, embora o Brasil ainda não tivesse declarado guerra aos países do Eixo, algumas dessas embarcações brasileiras realizavam deslocamento de tropas, de um Estado para o outro, e conduzia matéria-prima de artefatos bélicos para os Estados Unidos.

O Brasil só declarou guerra à Alemanha depois que os alemães afundaram o paquete Baependi, do Loyd Brasileiro, no limite dos Estados da Bahia e de Sergipe. Os representantes dos sindicatos civis protestaram defronte do Palácio do Catete, obrigando Getúlio Vargas e seus refratários ministros militares a declararem guerra à Alemanha. Pouco tempo antes, Getúlio Vargas discursara a bordo do encouraçado Minas Gerais, dizendo que uma nova era se descortinava no mundo, cantando loas aos regimes fascistas que aos poucos tomavam conta da Europa dominada por Hitler.

Cerca de 36 navios brasileiros foram afundados pelos alemães entre o litoral brasileiro e o Golfo do México. Já contei essa história, mas acho oportuno repeti-la mais uma vez. Em 1942, viajei do Rio para a Bahia no Araraquara, já todo pintado de cinzento, com a proibição de acender qualquer luz no seu interior para não atrair submarinos inimigos. Desembarcamos em Salvador, o navio permaneceu alguns dias naquele porto para reparos, depois zarpou com destino ao Recife e foi afundado pelo mesmo submarino que liquidou o Baependi em litoral sergipano.

P.S.– A propósito, quem sabe muita coisa sobre a Segunda Guerra Mundial é o advogado Carlos Marques, residente e domiciliado na comarca de Afogados da Ingazeira. 

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