Meu querido Recife - Orlando Morais Neto

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24/07/2009

Meu querido Recife - Orlando Morais Neto

24/07/2009
Meu querido Recife - Orlando Morais Neto

Publicado no Diario de Pernambuco - 24.07.2009

omoraisneto@hotmail.com

Na madrugada de segunda-feira, dia 22 de junho de 2009, para a terça-feira (obviamente, dia 23 de junho de 2009!), após viver o "pé d'água" que assolou Recife, fui dormir bastante atordoado. Tive um sonho muito louco, porém, com certa lógica, senão vejamos. Estava eu, às nove da matina, indo para uma concessionária de veículos, com o fito de trocar o meu atual carro por um submarino. O quê? É muita viagem, mas esperem! Vamos lá... Tinha, assim como grande parte dos recifenses, ficado extremamente chateado com a inundação desta segunda-feira e, por causa disso, seguindo o modismo local, resolvi adquirir um belo submarino, vale esclarecer, completo de tudo, ou seja, com ar condicionado, direção hidráulica, banco em couro, som com MP3 e vidros elétricos (realmente, não sei qual a função deste último item embaixo d'água! Sonho é sonho!). Confesso que queria o cinza murano, mas, levado pela necessidade, bem como pela falta da coloração desejada (Pense numa febre de compras!), acabei pegando o preto! Saí da loja todo satisfeito, imaginando que nunca mais iria me preocupar com as constantes chuvas que castigam e inundam minha querida cidade! Refleti até que o Recife deveria abdicar de seu antigo posto de "Veneza Brasileira" para "Atlântida Brasileira", pensamento este esvaziado totalmente quando me lembrei de São Paulo, cidade esta sim merecedora do título. Continuando... Na volta para casa, no cruzamento da Rua do Futuro com a Avenida Santos Dumont, apesar de dirigir um veículo inquebrável dentro d'água, acabei por ficar no meio do caminho (não foi por motor encharcado!). Me deparei com outra infeliz característica de nosso município, qual seja, buracos! Paguei, realmente, de gatão! Imaginando ser imbatível, ao visualizar pela luneta o sinal verde, acelerei meu veículo sem, contudo, dar conta do asfalto, o que, de fato, ocasionou um pneu furado. Fiquei irritadíssimo! Como iria trocar o pneu aro 18' do meu novíssimo submarino dentro de uma enchente? Qual seria o veículo mais adequado para as nossas condições de clima, tempo e asfalto? O tempo passou e nada de respostas! Comecei, cada vez mais, a ficar nervoso e tenso e, não aguentando mais aquela angústia, me acordei num susto. Ainda em estado de sonolência, não parava de refletir sobre o acontecido, por mais estranho que pareça. Hoje em dia, infelizmente, quando acordo e vejo que está chovendo, saio de casa rezando para não atolar no percurso. Além disso, independentemente de chuva, acabo por fazer inúmeras manobras arriscadas, com o intuito de desviar dos infinitos buracos "municipais". Certa vez, inclusive, ao dirigir-me para a casa de minha mãe, meu querido irmão Doca me criticou por eu ter passado bem em cima de uma cratera na faixa da direita da Avenida Rosa e Silva. Já irritado pelo trânsito (outro triste requisito de uma cidade grande que se preza!), gritei dizendo que o errado era a existência do buraco no meio da rua e não a minha direção. Sinceramente, fulcrado em todo visível potencial de nossa cidade, nãoaceito, como contribuinte que sou, o total descaso em que esta se encontra. É inadmissível deixar para lá tal situação ou fingir que está tudo bem! Será que teremos sempre que esperar um grande acontecimento, como, por exemplo, uma Copa do Mundo, para fins de solução de problemas urbanos básicos? Qual seria a melhor designação para o Recife? Veneza Brasileira? Atlântida Brasileira? Ou Canon Brasileiro? Que seja! Viva a Copa do Mundo de 2014!
 

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