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02/08/2011Mestre Nuca, o Leão do Norte - Arnaldo de Lima Borges
02/08/2011
Publicado na Folha de Pernambuco em 02.08.2011
A XII edição da FENEARTE, encerrada recentemente, inspirada na literatura de cordel e dedicada às interferências da dama da arquitetura pernambucana, Janete Costa, entre a cultura popular e o desing, teve seu ápice, novamente, na alameda dos mestres, mais precisamente no stand do ceramista Manoel Gomes da Silva, o Mestre Nuca, de Tracunhaém, considerado Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2006.
Representado por seus filhos Guilherme e Marcos, encarregados de perpetuarem o ofício e a tradição familiar, não é exagero afirmar que o Mestre dos Leões, mesmo ausente à feira, engrandece-a com a singularidade de sua arte popular em barro, que transborda o simples conceitual abstrato de artesanato - ou os equivalentes leões de louça portugueses -, e reverbera a força e a coragem do Leão do Norte para o mundo.
Os famosos leões sentados - ao lado de pinhas, peixes, galinhas e bonecas - com jubas circularas e achatadas, bem encaracoladas ou, por vezes, representadas por sucos e pregas verticais, são a mais legítima e fiel representação não só da magnitude criativa da cultura popular de um Pernambuco forte e corajoso, mas também dos valores inerentes ao seu povo.
Um Pernambuco criativo, inventivo e talentoso, livre de cópias e reproduções; garboso, sem arrogância; enérgico, sem violência; altivo, sem prepotência; plácido e elegante, sem afetações; de brio, sem violência; orgulhoso de suas raízes e da sua história, sem soberba; um Pernambuco revolucionário como o de 1817, o da Revolução Praieira, o da Setembrizada e de tantas outras manifestações libertárias, sem aleivosias, veleidades ou vaidades: um Pernambuco autêntico e único.
Ao transformar o barro em leões de cerâmica, mais do que dar forma à arte e relembrar a heráldica do brasão de armas de Duarte Coelho, Mestre Nuca pereniza a identidade cultural do Estado em seu símbolo popular maior, e crava definitivamente, no imaginário de todos, a imagem indormida de um povo coberto de glória.
Que para sempre se perpetue e paire, sobre a terra dos altos coqueiros, a fulgurante obra de um dos mais bravos guerreiros pernambucanos: a de Mestre Nuca, o verdadeiro Leão do Norte.
A XII edição da FENEARTE, encerrada recentemente, inspirada na literatura de cordel e dedicada às interferências da dama da arquitetura pernambucana, Janete Costa, entre a cultura popular e o desing, teve seu ápice, novamente, na alameda dos mestres, mais precisamente no stand do ceramista Manoel Gomes da Silva, o Mestre Nuca, de Tracunhaém, considerado Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2006.
Representado por seus filhos Guilherme e Marcos, encarregados de perpetuarem o ofício e a tradição familiar, não é exagero afirmar que o Mestre dos Leões, mesmo ausente à feira, engrandece-a com a singularidade de sua arte popular em barro, que transborda o simples conceitual abstrato de artesanato - ou os equivalentes leões de louça portugueses -, e reverbera a força e a coragem do Leão do Norte para o mundo.
Os famosos leões sentados - ao lado de pinhas, peixes, galinhas e bonecas - com jubas circularas e achatadas, bem encaracoladas ou, por vezes, representadas por sucos e pregas verticais, são a mais legítima e fiel representação não só da magnitude criativa da cultura popular de um Pernambuco forte e corajoso, mas também dos valores inerentes ao seu povo.
Um Pernambuco criativo, inventivo e talentoso, livre de cópias e reproduções; garboso, sem arrogância; enérgico, sem violência; altivo, sem prepotência; plácido e elegante, sem afetações; de brio, sem violência; orgulhoso de suas raízes e da sua história, sem soberba; um Pernambuco revolucionário como o de 1817, o da Revolução Praieira, o da Setembrizada e de tantas outras manifestações libertárias, sem aleivosias, veleidades ou vaidades: um Pernambuco autêntico e único.
Ao transformar o barro em leões de cerâmica, mais do que dar forma à arte e relembrar a heráldica do brasão de armas de Duarte Coelho, Mestre Nuca pereniza a identidade cultural do Estado em seu símbolo popular maior, e crava definitivamente, no imaginário de todos, a imagem indormida de um povo coberto de glória.
Que para sempre se perpetue e paire, sobre a terra dos altos coqueiros, a fulgurante obra de um dos mais bravos guerreiros pernambucanos: a de Mestre Nuca, o verdadeiro Leão do Norte.
