Maestro Israel de França vai ajudar meninos da Orquestra Cidadã

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04/08/2010

Maestro Israel de França vai ajudar meninos da Orquestra Cidadã

04/08/2010
Maestro Israel de França vai ajudar meninos da Orquestra Cidadã

Fonte: TJPE

O maestro pernambucano Israel de França, que há 20 anos é o primeiro violinista da Orquestra Ciudad de Granada, na Espanha, está no Recife para estudar uma parceria com a Orquestra Criança Cidadã. Nesta terça-feira, 03, ele esteve com o corregedor geral de Justiça, Bartolomeu Bueno, e com o juiz João Targino, idealizador e diretor da orquestra formada por meninos do Coque, que já desfrutam de fama e simpatia nacionais. Agora, segundo o juiz, a orquestra quer ganhar ares internacionais.

Como os meninos da Orquestra Criança Cidadã, o maestro Israel de França também teve uma infância difícil e também foi salvo da miséria pela música. Filho de uma lavadeira de roupas e de um operário, ele nasceu e foi criado no bairro olindense de Peixinhos. Ali, aos 13 anos, na “Escola Caranguejo”, que assim era chamado o Colégio Cônego Jonas Tourinho, por estar situado literalmente dentro da lama, ele entrou para a Banda Estudantil e salvou sua vida. Tocava “requinta”, uma espécie de clarineta pequena.

A vocação musical logo se consolidou. Sua grande chance veio com o Projeto Espiral, que amparava músicos jovens e pobres através da Secretaria de Educação no governo Marco Maciel. Ali, com dois anos e meio de estudo de violino tornou-se estagiário da Orquestra Sinfônica do Recife. Depois, foi para Campinas (SP) e em 1989 mudou-se para a Europa, estudando violino em Lisboa e Londres.

Há 20 anos está em Granada e há três é o regente da Sinfonietta da cidade, continuando, contudo, seu trabalho de primeiro violinista da outra orquestra, a Ciudad de Granada.

Como violinista, ele já se apresentou em toda a Europa e ganhou muitos prêmios em concursos internacionais. Vários dos seus colegas da Banda da Escola Caranguejo também se deram bem: Isac Duante, por exemplo, é o oboísta da Orquestra Tom Haley, na Alemanha.

Infelizmente, há também os que sucumbiram à pobreza. Nesta sua temporada pernambucana, o maestro Israel de França avistou nas ruas do Recife um colega da banda: empurrava uma carroça de papéis velhos. O maestro se dirigiu ao velho companheiro e lhe deu um abraço. E, no seu coração, cresceu o desejo de contribuir para que os meninos músicos do coque tenham um futuro, no mínimo, igual ao seu. Ao final da visita ao corregedor geral, o maestro brindou os presentes com peças de Bach ao violino.
 

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