Justiça determina reconstituição de linchamento em Petrolina

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30/04/2010

Justiça determina reconstituição de linchamento em Petrolina

30/04/2010
Justiça determina reconstituição de linchamento em Petrolina

Fonte: TJPE

Os fatos relacionados ao linchamento de José Alex Soares da Silva e Diego Pereira Cruz serão objeto de uma reconstituição simulada. O juiz Edilson Moura entendeu que essa diligência, requerida pelo Ministério Público, vai servir para individualizar a participação dos implicados no crime que resultou na morte de uma das vítimas. A decisão foi tomada durante a primeira audiência de instrução e julgamento do caso, realizada nesta quinta (29).

O magistrado, no entanto, não acatou o pedido de exumação do corpo de Alex, apresentado pelo advogado de uma das acusadas. Diante da decisão de promover a simulação dos fatos, o magistrado não viu necessidade de dar prosseguimento à audiência, que, iniciada às 10h, já se prolongava às 16h20.

O tempo foi suficiente para ouvir as sete testemunhas de acusação e mais o depoimento de Diego Cruz, na condição de informante. A próxima audiência poderá ser marcada para daqui a 30 dias, quando então serão ouvidas as testemunhas de defesa e conhecida a decisão sobre o pronunciamento ou não dos acusados.

“Esperamos, portanto, que a Secretaria de Defesa Social designe o mais rápido possível uma equipe para realizar a reconstituição. O Poder Judiciário, assim como a população pernambucana, espera respostas rápidas e claras sobre as circunstâncias em torno desse crime, que comoveu a sociedade de Petrolina e de todo o Estado”, declarou o magistrado.

Depoimentos

Em seu relato, Diego Cruz reafirmou que ele e Alex foram agredidos pelo soldado do Corpo de Bombeiros da Bahia, Gracenildo Rodrigues dos Santos, pelos frentistas Eliomar do Nascimento Lopes e Adriano Roberto da Silva, e o dono de lanchonete Nilton César Ribeiro, incentivados por Maria Claudenice da Silva. Entre os agressores também havia um jovem de 17 anos, sobrinho do soldado Gracenildo.

Segundo os autos, na noite do dia 10 de janeiro deste ano, as vítimas haviam saído de um campo de futebol e ao passarem, de moto, pelo Posto Umburuçu, foram seguidos por uma caminhonete. Alguns quilômetros à frente, já no Posto Paizão, onde pretendiam abastecer, os rapazes foram abordados por Maria Claudenice, que desceu da caminhonete acusando-os de autoria de um assaltado que teria ocorrido no Posto Umburuçu, poucas horas antes.

Entre as testemunhas, o Ministério Público arrolou os funcionários e o proprietário do Posto Paizão. Os depoentes disseram que tentaram, em vão, conter a agressividade dos amigos da proprietária do Posto Umburuçu. Afirmaram que apesar de telefonarem insistentemente, a Polícia demorou a chegar ao local e que durante todo tempo os agressores continuaram desferindo socos e chutes nas vítimas.

Um agente do GATI, em testemunho, disse que ao chegar no local do linchamento uma das vítimas agradeceu aos policiais por terem evitado a morte da mesma. Mas, segundo outras testemunhas, os dois jovens continuaram sendo agredidos na delegacia. Um dos depoimentos mais comoventes foi o de José da Luz, vizinho dos familiares das vítimas, que viu quando Alex, após ter sofrido desmaios e com algemas, foi jogado na carroceria de uma caminhonete da PM como se fosse uma pedra.

Levados a um hospital, Alex ficou internado, onde veio a falecer e Diego, na volta, em vez de reconduzido à Delegacia foi levado a um matagal, onde sofreu uma sessão de humilhações e torturas físicas. Agentes da Polícia Civil - inclusive uma escrivã - estão sendo alvo de um outro inquérito em razão das torturas narradas pela vítima.

Defesa

Três dos cinco acusados constituíram advogados para as suas defesas, inclusive dois dos quatro foragidos. Outros dois não apresentaram defesa e serão representados pela Defensoria Pública. A tese levantada pelos representantes dos implicados é de que a morte de José Alex não decorreu das agressões sofridas antes de chegada à Delegacia de Polícia.
 

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