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04/12/2009Jubileu de Diamante do Clube Português do Recife - Ramos André
04/12/2009
Publicado no Diario de Pernambuco - 04.12.2009
jramosandre@ig.com.br
O Clube Português do Recife nasceu da necessidade de dar atenção aos jovens imigrantes lusos, vitimas da saudade da "terra", dos parentes e amigos que lá deixaram.
No Século 19, principalmente com a abolição da escravatura e consequente falta de mão de obra, era comum os comerciantes portugueses do Recife, recrutarem em Portugal, jovens, parentes ou conterrâneos, para virem trabalhar em suas casas comerciais.
Em cá chegando, recebiam todas as atenções de seus patrões, que não raro os reuniam aos domingos em suas residências para o almoço. Colocavam-nos como sócios do Hospital Português, protegendo-lhes a saúde; e como sócios do Gabinete Português de Leitura, que os capacitava para o trabalho através de cursinhos profissionalizantes e os ilustrava pela boa leitura. Alguns praticavam remo no Barroso e outros dançavam na Tuna.
Entretanto, um grupo de portugueses percebeu que essas entidades lusas não eram suficientes para atender à totalidade das necessidades desses jovens que, vindos do interior em sua maioria, cortaram repentinamente o cordão umbilical com a família e com seu pequeno mundo e, na solidão da nova realidade, resvalavam para o banzo da saudade.
Para preencher essa lacuna fundaram o Clube Português do Recife no dia 4 de dezembro de 1934. Uma espécie de casa mãe, onde ao convívio mais frequente com outros patrícios, o cultivo das tradições lusas, festas cíclicas, danças e celebrações pátrias, formavam um ambiente propício a transformar o garreteano "gosto amargo de infelizes" em alegria e felicidade, na benfazeja ilusão de estarem lá, estando cá. No rancho foclórico reviviam as danças do minho; o São João do carneirinho não tinha grande diferença; no São Martinho não faltavam as castanhas e o vinho, a par de outras iguarias; nos carnavais, lembravam os entrudos; e a 13 de maio a procissão e a missa de Fátima alimentavam-lhes a tradição religiosa, como bem lembrou o presidente Camilo dos Santos, no 15º aniversário do Clube: "O grupo estudou a possibilidade da organização de uma sociedade que desse ao nosso patrício que trabalha, um pouco de alegria no viver, sabido como é, que a alegria torna a vida mais suave." Pari passu, foram surgindo os esportes amadores, inicialmente de lazer e logo de competição, que os integravam na comunidade local. Nos anos dourados foi o grande ponto de encontro da juventude. Aliás, ainda se encontram muitos casais que se conheceram em todo esse convívio, namoraram e casaram, estão firmes, e na maioria integrados no seu Clube. O Português nunca formou gueto. Desde inicio abriu-se para a comunidade local; a sua diretoria era integrada por recifenses e na década de sessenta já elegia um brasileiro, o Dr. Renato Maia, como presidente, a que se têm seguido outros, uma transição luso-brasileira natural. Se já não há mais jovens imigrantes lusos prenhes de nostalgia, o Recife continua precisando de um espaço adequado ao desenvolvimento emocional e físico de sua juventude. E o Clube Português do Recife continua sendo uma boa opção: as prévias carnavalescas chegam a reunir mais foliões do que na época dos "maiores carnavais do mundo"; o campioníssimo Handebol, o famoso Hóquei, ambos com grande projeção nacional e internacional; tênis de campo e de mesa, natação e outros esportes, festas, lazer e alegria, e uma boa infraestrutura de serviços, bares e restaurantes, e ambiente familiar, fazem do Português um oásis no deserto estressante da vida moderna. Aos 75 anos, o Clube de Rosa e Silva, é a mesma Casa Portuguesa a serviço, principalmente, dos brasileiros.
