Irã: produtor de simulacros - Luciano Pereira de Carvalho

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01/09/2010

Irã: produtor de simulacros - Luciano Pereira de Carvalho

01/09/2010
Irã: produtor de simulacros - Luciano Pereira de Carvalho

Publicado no Diario de Pernambuco - 01.09.2010

adv.luc@terra.com.br

Depois de cruelmente condenar à morte por apedrejamento, uma mulher que teria mantido relações sexuais, à despeito da sua viuvez, o governo do Irã - pressionado pela sociedade internacional - afronta o mundo com uma ridícula simulação, via internet, como sendo a confissão de um novo crime, cometido pela condenada. Naquele ardil ela "confessa" a participação na morte do marido. E, isso, para justificar a manutenção da repugnante sentença proferida pelo poder estatal iraniano. Poder civil autoritário, comandado sob o manto de uma religiosidade extremista e arrogante e que, quando reconhece direitos este se destinam aos homens. Uma religião que afronta os princípios da liberdade, como a preservação da dignidade humana. Mas, sabemos todos nós; a verdade é filha do tempo. Daí a presteza do governo iraniano em cumprir a pena o mais rápido possível. Por outro, a igualdade entre os homens e as mulheres é antes de tudo, uma igualdade de desejos, já que sãoiguais nas suas paixões. E ainda, as necessidades mínimas do homem e da mulher, desde a era primitiva, resumem-se: na alimentação, no repouso e na satisfação sexual. Assim, por que uma mulher sendo viúva, livre e independente de compromissos religiosos, sociais, financeiros ou políticos, não possa se satisfazer sexualmente? Isso se constitui em crime contra o Estado? Só por se tratar de uma mulher? Quantos, ou quais os homens do Irã que se abstêm de relações carnais em respeito à sua condição de viuvez? No caso de Sakineh, que manobras foram utilizadas ou ameaças feitas para que a moça acedesse às tentativas e, provavelmente, caísse em tentação, certamente fragilizada pela necessidade do seu corpo jovem? Por que nos países islâmicos apenas a parte feminina da sociedade se constitui nas humilhadas e nas ofendidas? Por traz do pensamento, são os instintos que trabalham, já dizia Nietzsche.

No governo iraniano se efetiva a astúcia, a invenção de arapucas para enganar o adversário, de armadilhas, disfarces e estratagemas. Como exemplo disso, temos o enriquecimento de urânio, para produção de armas nucleares. Assim, os radicais do Islã não são perigosos porque são fanáticos, porque são "fundamentalistas"; eles são perigosos porque são totalitários. O que os define não é a religiosidade ou o fanatismo, mas, a intenção de impor ao povo iraniano uma verdade que não é a deles, de submetê-los às regras que os desumanizam, de privar daquilo que define como homens: a sua consciência e a sua liberdade. Essas são as atitudes do Irã, neste doloroso fato íntimo, de uma pobre viúva que sequer cometeu adultério. 

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