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24/07/2009Homem de ferro - Francisco Meira
24/07/2009
Publicado no Jornal do Commercio - 24.07.2009
O presidente Lula é um homem iluminado. Com índices de popularidade recorde, e já perto do final do seu segundo mandado – enfrentando a adversidade de uma crise mundial –, o ex-metalúrgico parece mesmo blindado. Digo isso porque não enxergo no seu governo nenhuma grande realização que pudesse legitimar a simpatia alcançada (a estabilidade econômica que propiciou um mar de bonança no o horizonte político do presidente vem do governo anterior, leia-se Fernando Henrique Cardoso).
Se examinarmos a história veremos que Churchill venceu a Segunda Guerra e nem por isso ganhou a eleição seguinte na Grã-Bretanha. A lição retirada desse fato é que a liberdade conquistada pelo povo britânico contra o nazismo não foi capaz de premiar o maior líder dos aliados. Daí porque, eterna a máxima do primeiro-ministro: "Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos".
No nosso país não posso aceitar que o Bolsa-Família por si só seja o alicerce da popularidade de Lula. Tampouco o PAC seria objeto dela. É certo que o primeiro pelo seu caráter paternal e assistencialista deixa enraizado nos seus beneficiários o sentimento de gratidão pela sensação da barriga cheia, mas não foi suficiente para tornar real a promessa do Fome Zero, abandonando muitíssimos brasileiros. O segundo mostra-se mais eficaz no papel do que no canteiro de obra, os projetos ali previstos não estão muitas vezes elencados no orçamento e, quando previstos nele, sofrem cortes imensuráveis, tudo como resultado do tsunami dos gastos públicos.
Vejo, assim, o calor da população atingir o presidente, não pela ação política em si mesma, mas em conseqüência da sua qualidade de talentoso comunicador, que sabe dizer o que se quer ouvir, seja nas ruas, seja nos gabinetes, seja nas salas de visitas. A extravagante popularidade de Lula se dar, outrossim, por força da sua própria história, homem humilde, que alcançou o sucesso. O povo brasileiro em sua bondade aplaude o presidente muito mais por sua ternura do que por sua eficiência. Tanto isso é certo que as crises políticas enfrentadas pelo seu governo (mensalão, sanguessugas, etc.) envolvendo, inclusive, o primeiro escalão do executivo (Pallocci, José Dirceu, etc.), jamais arranharam um centímetro sequer o prestígio do presidente, apesar da sua responsabilidade como mandatário da Nação. A generosidade do povo, portanto, é que criou o homem de ferro.
