Gullar, 80 anos de poesia - Antônio Campos

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13/09/2010

Gullar, 80 anos de poesia - Antônio Campos

13/09/2010
Gullar, 80 anos de poesia - Antônio Campos
Publicado na Folha de Pernambuco - 13.09.2010  

O poeta Ferreira Gullar acaba de completar 80 anos. Nascido em São Luís do Maranhão, no ano de 1930, estreou na poesia aos 19 anos com o livro Um Pouco Acima do Chão. Em 1951, ao mudar-se para o Rio de Janeiro, deu início a sua carreira de jornalista. E aprimorou-se enquanto poeta.

As décadas de 1960 e 1970 foram marcantes na vida do maranhense que, no início dos anos 1960, modifica sua temática para temas ligados à política e problemas sociais. Nessa época escreveu clássicos da literatura brasileira de cordel, como João Boa-Morte, Quem Matou Aparecida? e Cabra Marcado para Morrer. Por ser filiado ao Partido Comunista Brasileiro desde 1964, teve - assim como meu avô - que partir para o exílio no auge da ditadura militar, vivendo na Rússia, Chile e Argentina, onde escreveu livro Poema Sujo.

Para o escritor a linguagem significa muito mais do que apenas palavras. E a arte é uma das coisas mais presentes no seu cotidiano, pois ele, além de poeta, é crítico de arte, pintor, desenhista e adepto a prática de colagens - que o próprio denomina seu “lado B”. O estilo literário de Gullar é reflexivo e nostálgico. É merecidamente considerado um dos intelectuais mais expressivos e influentes da atualidade.

Gullar, mais ativo que nunca, acaba de lançar Em alguma parte alguma - coletânea de poemas nítidos e breves, escritos ao longo dos onze últimos anos. Publicou também um livro para crianças intitulado Zoologia bizarra.  Essa vivacidade do octogenário Gullar fez com que ele recebesse recentemente  o Prêmio Camões, considerado um dos mais importantes da língua portuguesa.

Li recentemente uma declaração de Gullar onde ele explica o processo criativo dos seus poemas e textos: “A poesia não é filosofia. Meus poemas não são motivados por reflexões, e sim por espantos.” E disse sobre a poesia: “Pretendo que a poesia tenha a virtude de, em meio ao sofrimento e ao desamparo, acender uma luz qualquer, uma luz que não nos é dada, que não desce dos céus, mas que nasce das mãos e do espírito dos homens.”

Dono de cabelos brancos e compridos e de uma imaginação de menino, aos 80 anos, Gullar é certamente um dos principais poetas do Brasil.
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