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26/06/2009Em favor dos estágios - Inácio Feitosa
26/06/2009
Publicado no Diario de Pernambuco - 26.06.2009
inacio@esbj.com.br
Conversando recentemente com vários estudantes de Direito, ouvi diversas críticas sobre seus estágios. Muito reclamavam, muitos elogiavam e outros esperavam ansiosos pelo seu primeiro estágio. Posicionamentos tão díspares me fizeram refletir sobre o assunto.
Lembrei-me do meu primeiro estágio: um escritório de advocacia ainda no primeiro ano de curso. Recordo-me que corria pelos tribunais e varas localizando processos e até fazendo audiências trabalhistas. Lógico que devidamente caracterizado de "advogado", com paletó, gravata, camisa social e sapato preto, bem engraxado. Era ótimo encontrar outros estagiários nas pontes do centro da cidade, no Cais do Apolo, nas ruas próximas a OAB/PE. Época boa. Participava assiduamente de todos os cursos da ordem, na gestão do seu presidente Jorge Neves.
Eu era um "escraviário", disso não tenho nenhuma dúvida. Sofri, mas lá naquele estágio aprendi os "macetes" da advocacia. Lições que não me ensinaram na faculdade, nem nos meus cursos de pós-graduação. Hoje, formado, professor e advogado uso aquelas vivências no meu dia a dia e em sala de aula.
Depois do escritório fui para uma autarquia, um conselho profissional, continuei sofrendo ao responder sozinho por milhares de execuções fiscais no estado, eu era um "office boy de luxo", cumpria mandados do meu chefe, hoje cumpro dos meus clientes. Aprendi tudo o que poderia aprender em relação ao tema "execução fiscal". Sempre trabalhava muito mais do que as atuais seis horas da nova lei de estágios, mas era recompensado em poder assinar as petições e colocar a minha OAB de "estagiário", lembro até do número: 1010. Sonhava em ter esse mesmo número quando fosse advogado, depois descobri que carteira de estagiário tem numeração diferente da inscrição de advogado.
Não satisfeito fui estagiar em um tribunal federal, logo fui levado para o Gabinete da Presidência devido ao meu currículo de estágios anteriores. Lá fiquei cuidando da admissibilidade dos "recursos especiais e extraordinários", aprendi tudo rapidinho. Era o único estagiário do setor. Já tinha outro status: "o estagiário da presidência". Agora eu tinha até o que colocar no curriculum vitae. Depois, com as mudanças normais do tribunal, fins de mandatos, fui ser companheiro de um carimbo e de milhares de processos. Aí era difícil...
Perseverei, pois ao meu lado existia uma máquina copiadora, lá não perdi tempo. Cuidei de montar meu acervo de petições. Com as principais ações judiciais em trâmite na esfera federal. Depois, fui ser um estagiário-consultor, na seara trabalhista. Atendendo diversas empresas por telefone. O processo de seleção era o seguinte, de 60 candidatos ficariam 6 em um mês. Aula em um dia, prova eliminatória no outro. Consegui ficar entre os que seriam contratados. Nunca estudei tanto na minha vida.
Essa empresa depois se transformou em um cursinho preparatório. Depois no maior grupo universitário do Nordeste e hoje estou na superintendência acadêmica do grupo, acabei desenvolvendo outras habilidades e competências também na seara acadêmica. Continuo advogando na esfera cível e trabalhista, além de assessorar sindicatos e instituições de ensino brasileiras. Tudo graças aos meus estágios!
inacio@esbj.com.br
Conversando recentemente com vários estudantes de Direito, ouvi diversas críticas sobre seus estágios. Muito reclamavam, muitos elogiavam e outros esperavam ansiosos pelo seu primeiro estágio. Posicionamentos tão díspares me fizeram refletir sobre o assunto.
Lembrei-me do meu primeiro estágio: um escritório de advocacia ainda no primeiro ano de curso. Recordo-me que corria pelos tribunais e varas localizando processos e até fazendo audiências trabalhistas. Lógico que devidamente caracterizado de "advogado", com paletó, gravata, camisa social e sapato preto, bem engraxado. Era ótimo encontrar outros estagiários nas pontes do centro da cidade, no Cais do Apolo, nas ruas próximas a OAB/PE. Época boa. Participava assiduamente de todos os cursos da ordem, na gestão do seu presidente Jorge Neves.
Eu era um "escraviário", disso não tenho nenhuma dúvida. Sofri, mas lá naquele estágio aprendi os "macetes" da advocacia. Lições que não me ensinaram na faculdade, nem nos meus cursos de pós-graduação. Hoje, formado, professor e advogado uso aquelas vivências no meu dia a dia e em sala de aula.
Depois do escritório fui para uma autarquia, um conselho profissional, continuei sofrendo ao responder sozinho por milhares de execuções fiscais no estado, eu era um "office boy de luxo", cumpria mandados do meu chefe, hoje cumpro dos meus clientes. Aprendi tudo o que poderia aprender em relação ao tema "execução fiscal". Sempre trabalhava muito mais do que as atuais seis horas da nova lei de estágios, mas era recompensado em poder assinar as petições e colocar a minha OAB de "estagiário", lembro até do número: 1010. Sonhava em ter esse mesmo número quando fosse advogado, depois descobri que carteira de estagiário tem numeração diferente da inscrição de advogado.
Não satisfeito fui estagiar em um tribunal federal, logo fui levado para o Gabinete da Presidência devido ao meu currículo de estágios anteriores. Lá fiquei cuidando da admissibilidade dos "recursos especiais e extraordinários", aprendi tudo rapidinho. Era o único estagiário do setor. Já tinha outro status: "o estagiário da presidência". Agora eu tinha até o que colocar no curriculum vitae. Depois, com as mudanças normais do tribunal, fins de mandatos, fui ser companheiro de um carimbo e de milhares de processos. Aí era difícil...
Perseverei, pois ao meu lado existia uma máquina copiadora, lá não perdi tempo. Cuidei de montar meu acervo de petições. Com as principais ações judiciais em trâmite na esfera federal. Depois, fui ser um estagiário-consultor, na seara trabalhista. Atendendo diversas empresas por telefone. O processo de seleção era o seguinte, de 60 candidatos ficariam 6 em um mês. Aula em um dia, prova eliminatória no outro. Consegui ficar entre os que seriam contratados. Nunca estudei tanto na minha vida.
Essa empresa depois se transformou em um cursinho preparatório. Depois no maior grupo universitário do Nordeste e hoje estou na superintendência acadêmica do grupo, acabei desenvolvendo outras habilidades e competências também na seara acadêmica. Continuo advogando na esfera cível e trabalhista, além de assessorar sindicatos e instituições de ensino brasileiras. Tudo graças aos meus estágios!
