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21/11/2010Educação gera prosperidade - Pedro Nunes Filho
21/11/2010
Publicado na Folha de Pernambuco - 21.11.2010
Este é um dilema dos países em desenvolvimento: ou priorizam a educação ou ficam para sempre condenados à pobreza, ao atraso e cada vez mais impossibilitados de usufruir de um conjunto de tecnologias modernas que tantos benefícios vêm trazendo à humanidade.
A prosperidade de um povo não acontece em ambiente desprovido de ações consistentes em favor da educação. Em outras palavras, não é riqueza que gera educação, e sim, educação de qualidade é que gera riqueza. Todos os países que desfrutam de tecnologias modernas, estabilidade econômica e social chegaram a esses patamares porque apostaram tudo em educação de qualidade.
No Brasil, 63% da população não ultrapassaram o ensino fundamental. E grande parte dos que foram além deste nível frequentaram escolas de má qualidade, com falhas imensas no processo de alfabetização, lacunas no desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático e precariedade na formação da cidadania. Talvez por isso, apenas 10% dos nossos jovens conseguem ingressar no ensino superior. Se considerarmos a universidade um centro de formação tecnológica e científica que propulsiona o desenvolvimento, podemos, então, calcular a distância que nos separa dos Estados Unidos, que têm 40% de sua juventude cursando instituições de nível superior da melhor qualidade.
O ensino médio brasileiro passou décadas focando exclusivamente o vestibular. Findou não atendendo mais nem as exigências da universidade, nem as expectativas dos estudantes. Por isso, não pode ser meta de nenhum jovem.
Já o ensino técnico de nível médio, esse sim, profissionaliza e abre portas para a empregabilidade. É aí que temos mais uma lacuna a ser suprida. Todos os países industrializados possuem três ou quatro vezes mais técnicos de nível médio que o Brasil. Ainda bem que os sistemas SESI, Senai e Senac estão crescendo em população escolar e em qualidade.
É pena que o presidente Lula tenha perdido a oportunidade de fazer uma grande reforma na educação do Brasil. A inadimplência legalizada está levando as melhores escolas particulares à falência, enquanto o ensino público não dá sinais de melhora. Vive em permanente UTI.
Não creio que nosso presidente se envaideça de não possuir formação acadêmica e, ainda assim, ser bem avaliado nas pesquisas e desfrutar de prestígio entre os chefes de Estado mais festejados do mundo. No seu íntimo, com certeza, lamenta as lacunas de quem não teve o privilégio de receber escolarização regular e de qualidade. Louve-se o esforço que fez e continua fazendo para superar tais dificuldades. Essa realidade educacional que o destino lhe impôs não o deixa menor, antes torna mais admirável ainda sua trajetória de vida e seu exemplo de superação. Entretanto, exatamente por sofrer os percalços de quem não teve oportunidade de receber boa escolarização é que deveria ter feito uma revolução no sistema educacional do Brasil. Convém lembrar que o caso do nosso presidente não é regra dominante em lugar algum do mundo. Sem qualquer ranço preconceituoso, o fato de um torneiro mecânico chegar à governança de seu país são coisas que são acasos da história, singularidade e fenômeno quase inexplicável. Já o fato de governar com sucesso e levar o País a encontrar caminhos de prosperidade tem explicação. Imaginemos o presidente Lula servido por um gabinete de ministros e funcionários públicos do alto escalão, cuja escolaridade se restringisse a precário ensino fundamental ou médio. Fosse essa suposição verdadeira, será que sua ação governamental teria atingido os índices de sucesso que vem tendo? Claro que não! Pois então, aprendamos a valorizar a educação como um bem maior, pois em toda época e lugar, alto nível de escolarização conta muito e haverá de ser assim sempre.
É desejo de todos nós que o Brasil continue avançando e que a população desfavorecida participe dos benefícios da prosperidade. Isso, no entanto, só acontecerá se os governantes cuidarem da educação como o único caminho que conduz ao progresso, ao bem-estar do povo e à paz social.
Sem fugir da linha de raciocínio, algo soa estranho quando o Ministério do Turismo gasta fortunas com festas para as populações de baixa renda. Não adianta botar o povo para ficar macaqueando no meio da rua ao som de bandas. A população brasileira precisa mesmo é de educação de qualidade. Isso, sim, é que fará a grande diferença!
