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04/08/2010Dr. Armando: “Foi assim” - Manoel Fernandes Maia
04/08/2010
Publicado na Folha de Pernambuco - 04.08.2010
Foi assim, mesmo. Sem tirar nem pôr. O que foi escrito em todas as páginas desta magnífica obra são depoimentos que não precisam buscar testemunhas. A palavra do Dr. Armando Monteiro Filho não foge à realidade perfeita dos fatos onde foi testemunha viva. Melhor ainda, ele nos entrega esta magnífica obra com renda dedicada a uma instituição das mais atuantes e sérias do nosso Estado, o IMIP, dirigido por um homem da maior estirpe, Professor Antônio Carlos Figueira.
A biografia do Dr. Armando é rica, nobre, escrita com muito carinho. Mais carinho ainda quando se refere a sua extrema ligação, não só com as mulheres de sua vida, sua família que tanto ama, como também com seus amigos. Ele é um homem gentil e atencioso como poucos que conheci.
Para quem conhece esta figura respeitada, bondosa, o camarada Armando Monteiro Filho é engenheiro, empresário e político. Com um certo ar de ingenuidade, ele surpreende a todos, com suas atitudes corajosas, enérgicas e, até certo ponto, engraçadas. Ele é, sem a menor dúvida, um conterrâneo com importantes contribuições prestadas a Pernambuco e ao Brasil.
Esteve presente na vida política de nosso País, em todos os acontecimentos importantes. Nunca faltou a ele decisão e coragem. Mesmo algumas vezes se prejudicando, ele nunca deixou de ajudar os amigos e a sua causa. Sua causa eram seus ideais. Sempre defendeu a redemocratização do País e a coragem de não recuar na adversidade sempre foi uma constante em sua vitoriosa jornada. A Nação tem, sim, um grande e imenso débito para com ele.
“Foi Assim” merece ser lido. Eu o li num sopro só. Desde o menino de engenho que foi até os dias de hoje, só encontrei verdades. Parecia que estava ouvindo os meus pais, naquela época, falando dos acontecimentos diários. Tudo confere, é uma fotografia que não deixa dúvidas dos acontecimentos. É uma aula de vida, uma obra de ontem, hoje e do amanhã.
Novas gerações beberão desta sabedoria, no modo simples e direto de escrever. Não busca meias palavras, vai com o coração aberto e o sentimento de uma vida. No governo de Agamenon Magalhães, minha avó Dejanira, que era amiga da família, era chamada para cantar no Campo das Princesas. Ela tinha uma voz divina, clássica. Minha mãe foi amiga de Dona DoCarmo. Esse relacionamento íntimo me fez conhecer o casal desde que eu era criança. Sempre me encantou os modos fidalgos e educados não só de Dinho (Dr. Armando, para os íntimos), como de sua mulher. Nossas gerações impediram que tivéssemos um convívio mais estreito. Caso contrário, iria beber da sua sabedoria, sendo um dos seus seguidores.
Sempre me prestigiou, mas tenho que dizer que nossa amizade nasceu tarde. Ele é um homem crente e indivisível. Homem uniforme, composto de sal e doce, de mangas, caramboleiras, oitis e tantos outros sabores, refogados em molho de maresia e inteligência.
Cabe aqui neste final uma frase de Charles Chaplin que afirma: “Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve, e a vida é muito importante para ser insignificante”.
