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23/03/2011Dias Cardoso - Um Herói Esquecido - II - Nilzardo Carneiro Leão
23/03/2011
Publicado na Folha de Pernambuco - 23.03.2011
O Embaixador ISNARD PENHA BRASIL JÚNIOR na importante conferência feita no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, em 28 de janeiro deste ano, traz, entre muitos fatos importantes da carreira do ilustre militar, poucas vezes lembrado entre os heróis da Insurreição Pernambucana, o fato de que até “no plano internacional”, quando se está a estudar batalhas e lutas entre exércitos e militares adversos, suas formas de combate, o nome do nosso herói é esquecido. É importante o destaque dessa importante criatividade trazida pelo ilustre militar às batalhas e destacada pelo conferencista.
“Sob o verbete “guerrilha”, em qualquer enciclopédia militar vamos ler que se trata de uma forma de tática bélica, concebida pelo Marechal de Campo Wellesley, Duque de Wellington, em sua campanha na Espanha contra Napoleão, no início do séc. XIX, razão, portanto de usar-se a palavra espanhola “guerilla”, depois aportuguesada para “guerrilha”. É verdade que se faz concessão ao fato de que essa forma de atividade bélica já existia muito antes, remontando-se ao tempo de Roma, Pérsia e Índia. Mas nenhuma alusão é feita a DIAS CARDOSO como precursor por 150 anos, no Ocidente moderno, daquele emprego de guerrilha por Wellington.”
Convém destacar que as ações contra Napoleão foram em começos do sec.XIX e DIAS CARDOSO usou as guerrilhas nos meados do sec.XVII.
O Coronel Manoel Soriano Neto, membro do Conselho de História do Exército Brasileiro, destacou como se procedia a luta no interior das matas e dos canaviais, com guerrilhas e emboscadas, aproveitando a vegetação, “com rapidez, da finta, da negaça, do espírito de iniciativa, da esperteza”, escreve:
“Este grupamento que viria a transformar-se em uma tropa devidamente organizada - o Exército Patriota - nas duas batalhas dos Guararapes, foi formado pioneiramente por DIAS CARDOSO, na harmoniosa integração de brancos, pretos, índios, mazombos, mamelucos, curibocas e demais mestiços de todos os matizes, que souberam, como ninguém, empunhar todo tipo de armamento na luta pela preservação do sagrado solo pátrio.”
Disso nasce, como foi dito, os mais honrosos epítetos atribuídos a DIAS CARDOSO, dentre eles o de ter sido “Organizador e Primeiro Comandante do Exército Brasileiro.” E o Estado de Pernambuco, com maior Justiça, em sua homenagem, criou em 1966 o Esquadrão de Cavalaria Dias Cardoso, hoje Regimento de Cavalaria Dias Cardoso. Porque foi ele, no dizer do conferencista: “o Arquiteto Militar da Insurreição Pernambucana, o Mestre da Emboscada.”
O ilustre Embaixador traz, também, em sua conferência, interessante passagem ocorrida quando da Batalha das Tabocas, em Vitória, quando se iniciou a grande reação contra o domínio do invasor. É, como foi dito, um lance metafísico, narrado por Diogo Lopes Santiago: “a maioria dos holandeses que escaparam com vida desta pendência confessaram que, no mais arriscado e perigoso do conflito,viram andar entre os portugueses uma mulher muito formosa, vestida de branco, e, junto a ela, um velho venerando, os quais davam armas, pólvora e balas aos nossos soldados. E era tanto o resplendor que ela lançava que lhes cegava os olhos e que esta visão lhes causou tanto temor que lhe fez virar as costas e se retirar descompostamente, Bem se mostra claramente que a mulher era a Virgem Maria (...) e o venerável velho Santo Antão, que entre aqueles ásperos matos tinha sua capeta. O lugar passou a ser conhecido como Vitória de Santo Antão.”
São narrativas de fatos reais ou do imaginário, que sempre existiu onde quer que esteja o homem com seus heroísmos e suas crenças.
Foi, sem dúvida, uma esplendorosa noite de pernambucanidade vivida em 28 de janeiro deste ano.
