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30/03/2011Dia mundial de conscientização do autismo - Bruno Moury Fernandes
30/03/2011
Publicado no Diario de Pernambuco - 30.03.2011
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Provavelmente, se você receber um abraço do seu filho, interpretará aquilo como um simples gesto de carinho. Se ele o olha atentamente, você terá esse ato como algo normal. O mesmo acontecerá se você o chamar e ele imediatamente responder. São atos banais do dia a dia de qualquer pessoa, certo? Errado. Essas atitudes podem ser de difícil execução para alguns especiais: os autistas. No caso deles, esse comportamento aparentemente corriqueiro pode significar superação e conquista.
É que esses são alguns sinais das pessoas inseridas no espectro autista: aversão ao contato físico; não compartilhamento do foco de atenção; dificuldade de se relacionar; de usar a imaginação; de iniciar, manter e terminar uma conversa. Seria impossível listar todos os sinais aqui, mesmo porque o autismo - disfunção global do desenvolvimento que afeta a capacidade de , socialização e comportamento - apresenta-se de diversas formas e em diferentes graus de comprometimento. Estima-se que cerca de 70 milhões de pessoas no mundo são autistas. No Brasil, esse número pode chegar a 2,5 milhões. São dados da ONU. Trata-se de um problema de saúde pública.
A ignorância da sociedade sobre o assunto talvez seja o maior obstáculo enfrentado pelos autistas e por seus familiares. A medicina, por sua vez, ainda ´escorrega` nessa área. Não se sabe ao certo como surge, nem a cura, ainda que existam registros de pessoas que tenham saído do espectro. Do ponto de vista legal, o autista é considerado um deficiente físico e, como tal, está amparado por legislação. A Lei Federal 7.853/89 determina que cabe ao Poder Público e seus órgãos assegurar às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social e ao amparo à infância.
O próximo 2 de abril é considerado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Vários monumentos pelo mundo (inclusive o Cristo Redentor) estarão iluminados com a cor do movimento:azul. Desejável que essa data, decretada pela ONU, sirva de reflexão para toda a sociedade brasileira, planos de saúde, escolas e Poder Público. Juntos, podemos difundir o conhecimento acerca do autismo, assim como foi feito com a Síndrome de Down. Com a ciência da sociedade e a intervenção adequada, o autista pode ter vida social, constituir família, trabalhar, estudar, praticar esportes, ir e vir.
O autista não precisa da sua piedade. Precisa apenas da sua compreensão e aceitação. O poder do olhar e do abraço de uma criança autista é algo divino. Neles detectamos mistério, esperança, amor, ingenuidade, insegurança, pureza e superação. Tudo ao mesmo tempo. O autista é inteligente e feliz, conquanto muitas vezes pareça estar sozinho, isolado em seu ´próprio mundo`. Ser autista é tão somente enxergar a vida por outro ângulo, com outros olhos. Olhos de Yeshua.
