Dez de junho, dia da translusitanidade - Ramos André

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10/06/2009

Dez de junho, dia da translusitanidade - Ramos André

10/06/2009
Dez de junho, dia da translusitanidade - Ramos André
Publicado no Diario de Pernambuco - 10.06.2009

jramosandre@ig.com.br

Os portugueses espalhados pelos quatro quadrantes, dão largas ao seu patriotismo neste dia 10. Sessões solenes, desfiles, concentrações, bandeiras desfraldadas, jantares, recepções, saudação do presidente da República e distribuição de comendas, espetáculos e outras manifestações, lembram aos portugueses da diáspora e aos da península ibérica, os grandes feitos dos antepassados, especialmente a conquista do torrão natal, a aventura dos descobrimentos e suas consequências, a situação do presente e as perspectivas do futuro.

O dia nacional nem sempre foi o 10 de junho. Entendem alguns que a vitória contra Castela, em São Mamede, Guimarães, em 24 de junho de 1128, é o início da nacionalidade. Foi aí que Afonso Henriques, descontente com a regência de sua mãe, D. Tereza, vassala de Leão e Castela, enfrentando e derrotando os seus exércitos, assumiu o governo do ainda Condado Portucalense, e recusou submissão ao seu primo leonês, que venceu em vários reecontros. Continuou a luta de seu pai, o Conde D. Henrique, contra os mouros, que foi desalojando da faixa atlântica da península, autoproclamando-se Rei, o primeiro de Portugal. Finalmente, a 5 de outubro de 1143, no tratado de Zamora, Castela reconhece Portugal, como Reino independente, posteriormente chancelado pelo Papa. Para muitos historiadores qualquer uma destas duas datas seria apropriada como Dia de Portugal. O dia 5 de outubro é também a data da proclamação da República, em 1910.

Durante muitos anos o dia nacional era o 1º de dezembro, data do início da guerra da restauração da independência contra a Espanha, em 1640. No desastre da batalha de Alcacer Quibir, 1578, o jovem Rei D. Sebastião desapareceu sem deixar descendência. Filipe II de Espanha herdou o trono de Portugal, em razão de um anterior casamento com uma princesa lusa. Por isso a frase: "de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento". Salazar, cúmplice com Franco do despotismo ibérico e adepto da política de boa vizinhança, conseguiu fazer esquecer dos portugueses as manifestações ufanísticas do patriotismo de dezembro.

Em seu lugar, surge o 10 de junho, dia do falecimento de Camões, o vate da ousadia marítima dos portugueses, cantada nos Lusíadas. Desde 1911 era o feriado de Lisboa, onde o poeta terá falecido em 1580. O Estado Novo, Salazar, passa a celebrar o 10 de junho como dia nacional, Dia da Raça, exaltando o nacionalismo e com fins propagandísticos de preito heróis de África. Após o 25 de abril, da romântica revolução dos cravos e da "Grândola, Vila Morena", a data permanece, mas com outro viés. Numa síntese feliz, na mesma data celebra-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

A data agrada a todos. Na prática celebram-se em Portugal dois grandes dias nacionais: o 25 de abril, derrota do salazarismo e começo da nova ordem, e 10 de junho, que dá grande importância aos emigrantes, por isso Dia Universal de Portugal.

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