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17/05/2010Dez anos sem Paulo Rangel - José Rangel Moreira
17/05/2010
Publicado no Diario de Pernambuco - 17.05.2010
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O espírito democrático que norteou toda a vida de Paulo Rangel Moreira tornou-o um homem idealista e destemido, desde os tempos de estudante, quando, em 1945, ao lado de Demócrito de Souza Filho, Salviano Machado, Odilon Ribeiro Coutinho, José Gonçalves, José Inojosa, entre outros, combateu a ditadura imposta por Getúlio Vargas, luta que resultou na morte de Demócrito, no dia 3 de março daquele ano. Em 17 de março de 1946, candidato à presidência do Diretório Acadêmico da FDR - Faculdade de Direito do Recife teve sua candidatura avaliada pelo brilhante jornalista Edson Régis de Carvalho, que assim se pronunciou na edição do Diario de Pernambuco e sua coluna:"... Nenhum nome poderia representar melhor o espírito de luta dos estudantes de direito - dos velhos e dos novos - de Pernambuco". E continuou:"... Por amor à sua escola, aos seus colegas e aos princípios pelos quais a mocidade de todas as terras se bateram, ele e outros estudantes que fizeram 3 demarço nunca vacilaram diante das dificuldades. Principalmente Paulo que sempre fez fáceis todas as dificuldades. Nunca se lembrou de chefes de polícia para instalar um alto-falante e falar ao povo da falta de vergonha do regime ditatorial que provamos. A sua ânsia insatisfeita é o trabalho - o trabalho como um sentido de sua vida - a organização de órgãos de defesa dos interesses da classe estudantil".
Em decorrência de seus ideais libertários, foi preso diversas vezes e teve seus direitos políticos cassados, em 1970, pelo AI-5, por não se submeter à nova ditadura imposta pelos militares, a partir de 1964. Paulo sabia, como poucos, fazer e cultivar amizades. Assim, pessoas com diferentes ideologias, como: Cid Sampaio, Antônio Farias, Gilberto Freyre, Murilo Guimarães, Heraldo Almeida, João Pinheiro Lins, Paulo Freire, Romero Maranhão, João Suassuna, Luiz Fernando Guedes Pereira, Antônio de Brito Alves, Ivan Macedo, Maurício Fernandes, Renato Bezerra de Melo, Sávio Vieira, frequentavam sua casa, sempre festiva, sob os cuidados de sua querida Célia, onde conversavam sobre os projetos que fizeram e fazem parte da história política, empresarial e cultural de Pernambuco. É necessário, por fim, ressaltar nesta homenagem, a grandeza de um sonhador que legou aos brasileiros (e, sobretudo, aos pernambucanos) o bem mais valioso que eles podem ter: a liberdade, este valor que permite aos cidadãos sua livre expressão. Sem dúvida, os ideais de justiça pregados por Paulo permanecerão por muitas outras décadas no imaginário dos homens de bem.
