Desafios do governo Dilma - Zacarias Barreto

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29/12/2010

Desafios do governo Dilma - Zacarias Barreto

29/12/2010
Desafios do governo Dilma - Zacarias Barreto

Publicado no Diario de Pernambuco - 29.12.2010

zacariasbarreto.adv@gmail.com

Sob os aplausos à popularidade recorde alcançada por Lula, a presidente Dilma assume legalmente um Governo que, de fato, já está a exercê-lo desde quando emprestou seu silencioso apoio aos cortes na liquidez do mercado financeiro visando conter o fantasma da inflação.

Outras medidas estão à porta, como a suspensão de concursos e a contratação dos anteriormente aprovados somente no segundo semestre, evitando o imediato impacto sobre as despesas com pessoal. 

Espera-se forte redução dos gastos públicos neste ano sem eleições, com apoio do petista Guido Mantega, que fica na Fazenda ciente de que as chaves do cofre não estarão apenas com ele. Estas serão manejadas também por Alexandre Tombini, sem partido, alçado ao Banco Central certamente pela sua familiaridade, desde 1999, com o setor bancário, que mais lucrou nos últimos oito anos. 

Da Casa Civil, com Antonio Palocci, interlocutor de Lula com o novo Governo, também se ouvirão vozes no sentido de se estabelecer amplo diálogo com o capital privado, habilidade adquirida na Pre-feitura de Ribeirão Preto. 

Para afagar o setor privado, deverá ser discutida a expansão do crédito porque, mesmo alcançando 47% do PIB, ainda está longe de sustentar os investimentos, sobretudo a forte expansão do setor imo-biliário, esperada já em 2011. 

Não se sabe como será a discussão interna do Governo Dilma sobre o déficit externo. Mas seu cres-cimento é inevitável, pois o mundo quer financiar o Brasil para aplicar aqui boa parte da abundante liquidez mundial e ganhar muito com os juros altos, como gostam os banqueiros. Será levantada a necessidade de estimular a poupança interna. Mas isso esbarrará na baixa renda dos trabalhadores: embora se anuncie a média salarial no Brasil na marca dos R$ 1.519,00 em dezembro/2010, em quase dez anos a elevação dos salários foi de apenas 7,3 por cento, pois em julho/2002 a média era de R$ 1.415,00.

Mas o aumento da renda não virá, se permanecer nossa baixa escolaridade: segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgado em novembro, o brasileiro com mais de 25 anos tem escolaridade media de apenas 7,2 anos. O Brasil ocupa a posição 93 dentre as nações e perde para Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Peru e Uruguai.

Como se vê, os desafios iniciais do Governo Dilma vão mais muito além do que apenas chegar pró-ximo da aprovação popular alcançada por Lula. 

Até porque, a julgar pela campanha eleitoral e muito ao contrário do seu antecessor, a presidente terá que superar dificuldades pessoais para ser o maior comunicador do seu próprio Governo. 

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