De novo a Data Magna de Pernambuco - Ramos André

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03/07/2009

De novo a Data Magna de Pernambuco - Ramos André

03/07/2009
De novo a Data Magna de Pernambuco - Ramos André
Publicado no Diario de Pernambuco - 03.07.2009

jramosandre@ig.com.br

Volta aos discursos na Assembleia Legislativa, aos jornais e consequentemente ao povo, o Dia de Pernambuco, há dois anos estabelecido como 6 de março, data da Revolução Pernambucana de 1817. Agora, por proposta de um deputado, deixou de ser o dia 6 para ser o primeiro domingo de março, ao argumento de que, caindo num dia útil, o feriado traria grandes prejuízos econômicos ao estado. Em meio à discussão, um outro deputado propôs, sem sucesso, que o 6 de março fosse lembrado como Dia Estadual de Comemoração da Revolução Pernambucana, e mais ainda, que se promovesse um plebiscito para a escolha pela população. A opção pela efeméride de março é muito recente e os atores da decisão ainda estão no Legislativo, para uma mudança radical, mas há muitas outras datas na história de Pernambuco, tão ou mais importantes do que esta, que podem orgulhar o pernambucano. A passagem de Pinzon, pelo Cabo de Santo Agostinho; o próprio 22 de abril, de Pedro Álvares Cabral; a divisão em capitanias, quando Pernambuco aparece como uma região autônoma; a data de sua outorga ao donatário Duarte Coelho, ou a instalação deste na Capitania; a guerra dos mascates; o governo de Gervásio Pires; o sacrifício de Frei Caneca, entre muitos outros acontecimentos que não podem ser esquecidos. Aliás, no último 6 de março assisti ao espetáculo que José Pimentel e seu exímio elenco apresentaram no Marco Zero, para celebrar o Dia de Pernambuco. Discordo do dia, mas dei-lhes os parabéns pela excelente apresentação e pelo enredo histórico do roteiro. Pena, lamentável, que um trabalho como esse fique no "zero" do Marco Zero. Era para percorrer o estado, de cidade em cidade, numa espécie de circuito histórico, para que o pernambucano conhecesse seu passado, suas raízes. Gasta-se tanto dinheiro com invasões culturais alienígenas, mas para divulgar a nossa cultura, os nossos governos não têm fundos... E os mecenas? Há muito desapareceram...

Mas voltando à Data Magna. Discordo do 6 de março. Uma grande data, de grandes repercussões, mas em seus objetivos, um fracasso, 75 dias de governo. Muitas vidas foram sacrificadas e, derrotados, acabamos por perder parte da Capitania para formar a de Alagoas. O ideal de rebelião e independência, as ideias de um governo republicano e os heróis do movimento, devem ser exaltados; mas fazer do desastre, das perdas e da derrota, a data magna do estado, não pode. A ideia de um plebiscito é boa, mas sem pressa, evitando o atropelo da razão pelas emoções. Seria indispensável que através da imprensa falada, escrita e televisiva se expusessem, à exaustão, as várias datas possíveis e suas justificativas.

Opto pela Restauração Pernambucana, 27 de janeiro de 1654. Não só porque é a data da expulsão do invasor batavo, cujo objetivo era apenas o lucro da Companhia das Índias Ocidentais, exceção feita a Nassau, que por isso desistiu de seu projeto. Mas o 27 de janeiro, mais do que vitória da expulsão do invasor, é o berço da pernambucanidade, quase dois séculos antes do grito da independência nacional. Nas guerras da Restauração Pernambucana, acontece algo de curioso e extraordinário. Nasce um novo povo: portugueses que já não eram portugueses, escravos que já não eram africanos, índios que já eram "civilizados", esqueceram o seu passado, as suas etnias. Uniram-se contra o inimigo comum e, sem se darem conta, formaram uma nova raça, a pernambucana. Aí nasceu também o exército brasileiro, o espírito de liberdade e independência, que plasmaram os futuros movimentos de rebeldia, inclusive o de 1817, sempre voltados para a construção de um povo, de uma autonomia, de uma nação. Aqui nasceu Pernambuco. Aqui nasceu a Pátria.
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