Comentando o cotidiano - Roque de Brito Alves

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10/03/2010

Comentando o cotidiano - Roque de Brito Alves

10/03/2010
Comentando o cotidiano - Roque de Brito Alves

Publicado no Diario de Pernambuco - 10.03.10

jodigitacao@hotmail.com

1 - Desde a fundação da Academia Francesa de Letras, em 22 de fevereiro de 1635, por iniciativa do Cardeal Richelieu - e cujo modelo foi adotado posteriormente em todas as nações - os seus membros são qualificados generosamente como "imortais" porém como seres humanos são "pobres mortais", pois são feitos de um barro muito frágil, limitados pelo tempo e pelo espaço, sem a posse absoluta da ciência ou da arte, sempre angustiados na eterna luta diária entre o bem e o mal "e a sua vida somente vale a pena se a sua alma não for pequena..."

2 - Comentário recente na imprensa qualifica o BNDES como "refúgio dos ricos", pois as grandes empresas receberam 83% do dinheiro de suas operações e sem - o que é mais grave - a geração de empregos, inclusive aporte de dinheiro à empresa "às vésperas de quebra", em dificuldades. As pequenas empresas receberam somente 5% do capital, as micro 4% e as médias 7% e, afinal, a pessoa física ficou somente com 1% ... com operações de alto risco, o BDNES desviou-se de sua verdadeira finalidade (para financiar projetos de longo prazo, conforme a economista Miriam Leitão), agindo assim estranhamente e impunemente no mundo dos negócios, das finanças e como ocorre em outros setores da vida nacional, os pequenos, os que não têm poder político ou econômico sofrem com inúmeras dificuldades mesmo quando obedecem às normas de tal mundo, o que não acontece com os grandes mesmo que não obedeçam a tais normas e os poderes da República são impotentes perante os mesmos...

3 - A blasfêmia gratuita de um inglês (Elton John) pobre de espírito contra o Cristo, será perdoada por Nosso Senhor Jesus Cristo, pois "não sabe o que diz", da mesma maneira que o Cristo perdoou os soldados romanos que o feriam e o injuriavam quando estava na Cruz ao pedir 'Pai! Perdoai-os pois não sabem o que fazem"...

4 - A afirmativa muito comum de que "a natureza não perdoa, vinga-se" está sendo comprovada desde o início do ano com a série de catástrofes naturais - sobretudo terremotos, aumento de temperatura (o nosso Recife é um exemplo) - pois se o homem atualmente procura destruir a natureza está destruindo-se a si mesmo. Crimes ambientais são praticados diariamente (desmatamento da Amazônia, da caatinga, etc.) em nosso país e apesar de legislação penal para a sua repressão e da existência de um Ministério específico, de discursos dos seus ocupantes, ao longo dos últimos anos, nada é feito contra os atores de tais delitos, geralmente grandes empresas cuja punição o art. 3º da Lei dos Crimes Ambientais de 1998, pois o poder econômico julga-se acima da Lei e da Justiça.

Assim sendo, pergunta-se em nosso país - e pergunta sem resposta... - na área jurídico-penal: por que nos crimes contra a natureza, contra a ordem tributária, financeira, econômica nenhum deles é qualificado como "hediondo"? O seu agente geralmente é de alto status financeiro, econômico ou político (é o denominado "crime de colarinho branco"), e tal agente não se encontra em nossas penitenciárias...

5 - Asestatísticas mais recentes do Ministério da Justiça indicam que existem em nossos estabelecimentos carcerários cerca de 473 mil presos e - o que é um absurdo - cerca de 57 mil detidos nas delegacias do nosso país e além disso calcula-se que em 2014 (ano da Copa) existirá cerca de um milhão de presos em nossas prisões, sem que haja nem a curto, médio ou longo prazo qualquer projeto ou programa para sanar tal problemática. Em tal sentido, exige-se a construção de inúmeras penitenciárias para uma tentativa de solução da questão porém se atualmente em nosso país nem sequer foi iniciada nas capitais que serão sede dos jogos os respectivos estádios, quanto mais o início de construção das penitenciárias necessárias. Evidentemente desde que "cadeia não dá votos", os políticos não se interessam na solução de tal problema que a cada dia torna-se mais grave e mesmo dramático em nosso país.
 

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