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22/06/2009Com que roupa eu vou (passar calor)? - Alexandre Gois de Victor
22/06/2009
Publicado no Diario de Pernambuco - 22.06.2009
agois@siqueiracastro.com.br
Comecemos pelo paletó, uma das peças do terno. Sinceramente? É uma imoralidade. Meu amigo, o terno é uma vergonha nacional! Exigir uma indumentária dessas de quem mora no Recife, por exemplo, é pior do que forçar o sujeito a assistir a um clipe da banda Calypso, com aquele cara de cabelo parecido com Odete Roitman tocando guitarra. Não há quem aguente. E os sádicos dos fabricantes ainda inventam de azeitá-los (os ternos) com uns forros para nos garantir umas gotas extras de suor. E a gravata? Convenhamos. Não dá para morrer de amores por um negócio responsável por nos apertar o goela, por nos sufocar sem piedade, dó ou misericórdia. Deixemos essa tarefa para a Receita Federal. Taí... Poderiam mudar o nome desse órgão para Gravata Federal. Terno e gravata... Em dias de maior calor gostaria de ter a mão um exterminador - como o do filme - para que pudesse mandá-lo ao passado encontrar e dar um jeito no responsável por essa ideia. Seria a nossa salvação. E as camisas? Deveriam sair da fábrica sem a opção do último botão. Assim não haveria a possibilidade de abotoar a peça até o final. Na verdade as tais camisas de botão deveriam seguir o exemplo dos dinossauros e entrar para o rol dos extintos.
Fosse eu governador de nossa república do bolo de rolo, faria baixar uma lei: O uso do terno e gravata de segunda à quinta deveria ensejar a aplicação de uma multa. Na sexta, a desobediência levaria o meliante para o cárcere. Lá ele ficaria até domingo à noite, e só seria solto depois dos gols da rodada. Já repararam o semblante de falsidade embotado num paraninfo de uma turma no dia da formatura? É aquele professor antigo que já recebeu essa deferência mais de uma dezena de vezes, e que ao invés de ir para Gravatá brincar de polícia e ladrão com seu neto tem que se vestir pela milésima vez com a aquela armadura citadina. O seu sorriso tem 17,5% de verdade (afinal é mais uma comenda) e 82,5% de dissimulação, causada, justamente, pelo calor humilhante acentuadopelas luzes e pela famigerada vestimenta. Nessas horas é que o sujeito, num suspiro quase imperceptível, abaixa um pouco a cabeça, como quem não quer nada, e diz para si mesmo: - Que negócio chato da peste.... Realmente, é pedir muito do decano, minha gente. Como exigir que ele seja elegante quando está sofrendo? Essas formaturas deveriam acontecer em Porto de Galinhas. Todo mundo de sunga e biquíni. As que estivessem se sentindo mais gordinhas teriam o direito de colocar um maiô. Às avós e mães seria permitido o uso de peças maiores, tipo as que são vistas naqueles filmes da década de 50. Ao invés daquele negócio de Orquestra Super Oara, tacaria no baile praiano-matutino uma banda de reggae. As becas (só nas horas mais solenes) seriam substituídas por uma canga para as meninas e por um bermudão de surfe colorido, no caso dos nós marmanjos.
Realmente... Esses caras que fazem essas roupas calorentas deveriam se juntar com os cientistas da Nasa e das Organizações Tabajara para, juntos, desenvolverem um sistemade refrigeração especial para ternos usados nos países tropicais. Seria uma revolução. E a essa altura esse cronista bissexto (quinzenal - justiça seja feita) deve ter se tornado alvo do veneno provinciano dos que adoram um terno e gravata. Vejam, meus inimigos, eu também gosto. Só não gosto de usá-los no Recife ou em qualquer lugar com clima parecido, entendem? Como não pretendo morar noutro lugar, prefiro minha cidade ao terno. Eu sei, eu sei... Como diriam vocês médicos, engenheiros, arquitetos, músicos (fora João Gilberto), atores, empresários etc: "tem gente que precisa usar terno, mas não usa. Diz que é feio, que incomoda, que envelhece, que machuca. [...]. Veja bem: ternos apropriados podem até dar charme e distinção. Procure o seu lojista (ou alfaiate) e leve suas medidas a uma casa séria, que trate do problema profissionalmente. Eu, por exemplo, não preciso usar terno, mais gostaria muito de poder usar." Ah, qualquer semelhança não é mera coincidência.
agois@siqueiracastro.com.br
Comecemos pelo paletó, uma das peças do terno. Sinceramente? É uma imoralidade. Meu amigo, o terno é uma vergonha nacional! Exigir uma indumentária dessas de quem mora no Recife, por exemplo, é pior do que forçar o sujeito a assistir a um clipe da banda Calypso, com aquele cara de cabelo parecido com Odete Roitman tocando guitarra. Não há quem aguente. E os sádicos dos fabricantes ainda inventam de azeitá-los (os ternos) com uns forros para nos garantir umas gotas extras de suor. E a gravata? Convenhamos. Não dá para morrer de amores por um negócio responsável por nos apertar o goela, por nos sufocar sem piedade, dó ou misericórdia. Deixemos essa tarefa para a Receita Federal. Taí... Poderiam mudar o nome desse órgão para Gravata Federal. Terno e gravata... Em dias de maior calor gostaria de ter a mão um exterminador - como o do filme - para que pudesse mandá-lo ao passado encontrar e dar um jeito no responsável por essa ideia. Seria a nossa salvação. E as camisas? Deveriam sair da fábrica sem a opção do último botão. Assim não haveria a possibilidade de abotoar a peça até o final. Na verdade as tais camisas de botão deveriam seguir o exemplo dos dinossauros e entrar para o rol dos extintos.
Fosse eu governador de nossa república do bolo de rolo, faria baixar uma lei: O uso do terno e gravata de segunda à quinta deveria ensejar a aplicação de uma multa. Na sexta, a desobediência levaria o meliante para o cárcere. Lá ele ficaria até domingo à noite, e só seria solto depois dos gols da rodada. Já repararam o semblante de falsidade embotado num paraninfo de uma turma no dia da formatura? É aquele professor antigo que já recebeu essa deferência mais de uma dezena de vezes, e que ao invés de ir para Gravatá brincar de polícia e ladrão com seu neto tem que se vestir pela milésima vez com a aquela armadura citadina. O seu sorriso tem 17,5% de verdade (afinal é mais uma comenda) e 82,5% de dissimulação, causada, justamente, pelo calor humilhante acentuadopelas luzes e pela famigerada vestimenta. Nessas horas é que o sujeito, num suspiro quase imperceptível, abaixa um pouco a cabeça, como quem não quer nada, e diz para si mesmo: - Que negócio chato da peste.... Realmente, é pedir muito do decano, minha gente. Como exigir que ele seja elegante quando está sofrendo? Essas formaturas deveriam acontecer em Porto de Galinhas. Todo mundo de sunga e biquíni. As que estivessem se sentindo mais gordinhas teriam o direito de colocar um maiô. Às avós e mães seria permitido o uso de peças maiores, tipo as que são vistas naqueles filmes da década de 50. Ao invés daquele negócio de Orquestra Super Oara, tacaria no baile praiano-matutino uma banda de reggae. As becas (só nas horas mais solenes) seriam substituídas por uma canga para as meninas e por um bermudão de surfe colorido, no caso dos nós marmanjos.
Realmente... Esses caras que fazem essas roupas calorentas deveriam se juntar com os cientistas da Nasa e das Organizações Tabajara para, juntos, desenvolverem um sistemade refrigeração especial para ternos usados nos países tropicais. Seria uma revolução. E a essa altura esse cronista bissexto (quinzenal - justiça seja feita) deve ter se tornado alvo do veneno provinciano dos que adoram um terno e gravata. Vejam, meus inimigos, eu também gosto. Só não gosto de usá-los no Recife ou em qualquer lugar com clima parecido, entendem? Como não pretendo morar noutro lugar, prefiro minha cidade ao terno. Eu sei, eu sei... Como diriam vocês médicos, engenheiros, arquitetos, músicos (fora João Gilberto), atores, empresários etc: "tem gente que precisa usar terno, mas não usa. Diz que é feio, que incomoda, que envelhece, que machuca. [...]. Veja bem: ternos apropriados podem até dar charme e distinção. Procure o seu lojista (ou alfaiate) e leve suas medidas a uma casa séria, que trate do problema profissionalmente. Eu, por exemplo, não preciso usar terno, mais gostaria muito de poder usar." Ah, qualquer semelhança não é mera coincidência.
