Cidadã de Pernambuco - Flávio Henrique Santos

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03/03/2010

Cidadã de Pernambuco - Flávio Henrique Santos

03/03/2010
Cidadã de Pernambuco - Flávio Henrique Santos

Publicado no Diario de Pernambuco - 03.03.2010

flavio.henrique@fhsadvocacia.com.br


No dia 8 deste mês de março, a Assembleia Legislativa homenageará a desembargadora Helena Caúla Reis com o título de Cidadã de Pernambuco, produto da feliz e oportuna iniciativa do deputado Pedro Eurico.

Cearense de nascimento, Helena Caúla foi datilógrafa do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, assumindo ali a Diretoria do Departamento de Pessoal. Foi também perita criminal e primeira mulher procuradora de Justiça no Estado de Pernambuco e a ocupar a cadeira de desembargadora no nosso Tribunal de Justiça, onde hoje preside a Seção Criminal e a 2ª Câmara Criminal.

Helena Caúla foi minha professora de Medicina Legal na Faculdade de Direito do Recife e, ali, perto dos meus 20 (vinte) anos, confesso que me sobrava muito pouco entusiasmo para estudar aquela ciência. Ainda hoje, todas as vezes que a vejo, relembro-me de não haver me desincumbido da promessa que lhe fiz de aprender adequadamente a disciplina que ela tão zelosamente ministrava.

Mas as recordações de minha primeira e única visita ao Instituto de Medicina Legal, onde a morte é uma evidência, explicam o meu afastamento daqueles estudos. No auge da minha juventude, o Direito se misturava à vida e, tal e qual hoje, eu nunca admiti dissociá-los.

O curioso é que a aridez daquela disciplina não se transportou à figura da Professora Helena.

Circunspecta, sempre a percebi envolta numa aura de simplicidade, que se harmonizava ao seu modo profundamente disciplinado de se comportar. É delicadamente firme e inegavelmente justa. Sobretudo, sua figura infunde em quem com ela convive uma firmeza de convicções circundada por uma dignidade serena, atributos absolutamente imprescindíveis àqueles que se submetem ao pesado fardo de julgar o seu semelhante.

No momento em que a Assembleia Legislativa a condecora, atribuindo-lhe a cidadania pernambucana, eu me sinto impelido a registrar aquilo que está além dos cargos, o que vem do humano, possível de ser visto apenas pela lente do sentimento.

Verdade que, por não militar nas câmaras criminais, jamais senti falta da medicina legal. Todavia, a imagem da professora Helena Caúla se manteve presente em mim como sinônimo de seriedade e compromisso, a exigir-me, neste campo, uma aplicação desmedida e sem concessões, como a compensar meus deslizes dos tempos de faculdade.

Nutro por minha professora uma enorme admiração e um carinho filial, incentivado pela ternura e acolhimento com que sempre me distinguiu, num olhar que sorri, revelando, à sua maneira, uma generosidade que a faz excepcional.

Por tudo, congratulo-me com a Assembleia Legislativa do meu Estado pelo reconhecimento que faz à desembargadora Helena Caúla Reis, ao conceder-lhe a cidadania. Até mesmo porque, à evidência, Pernambuco ficará mais rico.
 

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